Transformações arquitetônicas no Mar Grosso são tema de pesquisa universitária

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Um dos mais populosos bairros da cidade juliana, principalmente na alta temporada, o bairro Mar Grosso se tornou tema de pesquisa universitária de dois acadêmicos da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) de Laguna. A pesquisa de iniciação científica teve objetivo de analisar a transformação arquitetônica nas residências projetadas para o balneário.

A pesquisa foi realizada pelos estudantes Juliana Atamanczuk de Oliveira e Marco Antônio Garcia Gava, que fazem parte do Laboratório de Arquitetura – Teorias, Memórias e Histórias (Artemis), com a coordenação da professora Danielle Rocha Benício.

Os levantamentos têm como título: “Arquitetura em extinção: a residência unifamiliar no Balneário Mar Grosso” e os primeiros resultados foram divulgados em um artigo resumido, denominado: “Da casa ao apartamento, das varandas às sacadas envidraçadas: a transformação do Balneário Mar Grosso”.

Para a coordenadora, há uma grande mudança em curso, a partir da substituição da tipologia residencial – da casa térrea unifamiliar pelo apartamento em torre multifamiliar – ocorrida desde o surgimento do balneário, no final do século 19, até a situação atual.

“Durante o curso, os estudantes são provocados a desenvolverem a reflexão crítica acerca de problemáticas referentes às produções arquitetônicas do Brasil oriundas de tempos passados que sobrevivem no tempo presente”, acrescenta Danielle.

Segundo a coordenadora da pesquisa, o estudo do patrimônio cultural de Laguna e a análise crítica acerca da arquitetura residencial unifamiliar projetada para o Balneário Mar Grosso entre 1920 e 1970 são fundamentais para a preservação patrimonial.

“É necessário fazer um inventário das obras de arquitetura residencial unifamiliar remanescentes no balneário, já que tendem explicitamente à descaracterização, à destruição e, por conseguinte, ao desaparecimento e à perda irremediável e definitiva”, sugere.

O estudo oferece contribuição à escrita histórica e à valorização da memória do balneário e evoca a  ampliação da leitura da história de Laguna, fracionada ao seu centro tombado. O projeto foi auxiliado de forma grandiosa pelos resultados da ação de extensão Memórias de Laguna e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Centro de Artes (Ceart), que digitalizaram alguns acervos de documentos da cidade, permitindo a análise dos projetos residenciais unifamiliares desenvolvidos entre 1920 e 1970 para o Mar Grosso.

Formado no fim do século XIX

Fundada no fim do século XVII, Laguna surgiu abrigada pelos morros nos limites norte, sul e leste. “O berço da cidade coincide com a área central e o centro comercial, região histórica tombada pelo Iphan em 1985”, aponta Danielle. Do outro lado, foi formado o Mar Grosso, paralelo à praia.

Os primeiros chalés de madeira apareceram no fim do século passado e a região foi efetivada como balneário na primeira metade do século 20. Já na década de 1970, a localidade se torna ponto de veraneio e desde então é formada por moradias de ocupação permanente e de veraneio, além de edificações voltadas ao setor de comércio e de serviço.

As mudanças promoveram o incremento da infraestrutura, como pavimentação de ruas, implantação de redes de energia elétrica e água, entre outros. “Esse desenvolvimento acelerou a substituição de casas térreas unifamiliares por apartamentos em torres multifamiliares, tornando o Mar Grosso o único bairro verticalizado do município”, observa a coordenadora.

A pesquisadora diz que a limitação imposta pela preservação no centro histórico, tombado, acabou por favorecer a especulação imobiliária no Mar Grosso. “O bairro é explorado por grandes empreendimentos, sem qualquer proteção de preservação, ficando à mercê das demolições em prol do dito ‘progresso’. Hoje, restam raros exemplares do casario remanescente da origem do balneário”, destaca.

Ela também antecipa que a pesquisa mostra que o impacto dessas transformações não se restringe ao âmbito arquitetônico, mas também ao contexto urbano, gerando, por exemplo, o surgimento de corredores de vento pelas vias do bairro.

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