Divulgação/PMP-BS/Udesc

Avistado na praia do Gi, na última sexta-feira, 14, o lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) voltou ao mar no fim de semana. Monitorado desde que tinha sido visto inicialmente na região do Farol de Santa Marta, a espécie não é muito comum para no litoral – que é geralmente visitado pelo lobo-sul-americano (A. australis).

“Esse lobo não tem colônias costeiras, são próximos de ilhas da Antártica e fazem colônias nessas áreas. O hábito de vir para a praia para descansar é comum. Devemos entender que eles saem dessas áreas em busca de comida e quando se cansam, não ficam gastando energia no mar; vêm para a terra, descansam e voltam para a água em busca de alimento”, esclarece o professor Pedro Castilho, do Laboratório de Zoologia (Labzoo) da Udesc.

Apesar de lembrar um lobo-marinho-sul-americano, a morfologia é bem diferente. O subantártico tem pelagem bem clara na região do peito, o focinho é alongado e parece ter um estilo de topete no alto da cabeça. São mamíferos marinhos de tamanho mediano – um macho adulto pode pesar 150 quilos e medir até 2 metros de comprimento.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) informou que o exemplar visto no Gi passou por avaliação veterinária que indicou que ele estava saudável e parou apenas para descansar. Um cordão de isolamento para poder deixar ele tranquilo e afastado de carros e pessoas. No sábado, 15, ele voltou ao mar, aproveitando o movimento calmo e longe dos olhares humanos.

Cuidados

Castilho lembra que os lobos-marinhos são animais silvestres e defenderão sua integridade e, se estiveram saudáveis, ele dará sinais para que as pessoas se mantenham longe de seu território, em uma barreira invisível de cerca de 10 metros. “Se a gente ultrapassar essa barreira, ele terá resposta comportamental que pode ser vocalizada ou levantando a cabeça e essa responsividade indica que ele está saudável, atento e alerta. E isso é importante”, comenta.

Oferecer alimentos ou aproximação de animais domésticos deve ser evitada, além do risco de transmissão de zoonoses que pode acontecer com o toque ou em uma eventual mordida provocada pelo mamífero. “Evite atrapalhar esse movimento, para que eles possam continuar vindo e visitando as praias”, orienta.

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no polo pré-sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

Caso encontre algum animal marinho vivo ou morto, entre em contato com o projeto pelo telefone 0800 642 3341.