Foto: PML/Arte: Agora Laguna

Ocupando o governo desde 2013, o MDB de Laguna tentará em novembro se manter à frente do Executivo municipal e defender a continuidade da bancada, atualmente com cinco vereadores. Hoje, o partido é o maior da cidade em número de filiados, com 1.217 adeptos.

Ao Portal Agora Laguna, o advogado Antônio Luiz dos Reis, presidente emedebista, disse que já há dez nomes definidos para a Câmara e que a intenção é apresentar chapa com o atual prefeito Mauro Candemil – único pré-candidato oficial da legenda –, mas que o debate é válido.

“Ao Executivo, o diretório está aberto a quem pretenda se habilitar a se candidatar, para discutirmos este assunto no âmbito do diretório”, afirma. Na visão de Reis, o MDB não está dividido. “Na hora que for decidido pelo diretório quem será candidato, todo o MDB fechará a questão”, frisa.

Leia entrevista completa com o presidente do MDB

Agora Laguna – O MDB é um partido político tradicional de Laguna, disputando eleições desde a década de 1980, com a redemocratização. De que forma a legenda se apresentará na eleição de novembro?

Antônio dos Reis – O MDB atual da Laguna, por conta de seu passado, tem um patrimônio de investimentos de ações, de obras muito significativos aqui em Laguna. Não tem bairro, não tem comunidade, o próprio Centro Histórico, que não tenham uma intervenção ou uma ação do MDB, através de seus governantes. Assim, também no presente, com obras estruturantes, muito significativas e relevante, aqui implantadas.

AL – Ainda há espaço para o MDB na política de Laguna? Onde o partido se encaixa no espectro eleitoral da cidade?

AR – Onde o MDB sem encaixa? O MDB de Laguna tem um pré-candidato, que está se oferecendo; vai ser submetido ao crivo do Diretório Municipal, está se habilitando a concorrer com outros candidatos de outros partidos, levando na sua bagagem sua reconhecida história política e também obras relevantes, como acima mencionamos, realizadas pelas gestões do MDB, desde a época do Nelsinho, do Everaldo, quando prefeitos e, agora, do Mauro e, ainda, as obras que tiveram a intervenção dos governos de Pedro Ivo, do Paulo Affonso, Cassildo Maldaner, Luiz Henrique e Eduardo Moreira.

AL – Faltam poucos meses para a eleição. O partido já tem planejamentos definidos? Tem metas?

AR – Com certeza. Faltam poucos meses para a eleição e o MDB de Laguna está se adequando ao período que antecede a data de 15 de novembro. Já acontecem reuniões semanais da Executiva do Diretório, por meio de videoconferência. As metas vão sendo discutidas com uma equipe de planejamento, tendo em vista tudo o que deve ser feito em Laguna, no seu presente como para seu futuro.

AL – A mudança de data da eleição alterou os planejamentos?

AR – A mudança da data da eleição não alterou nada o planejamento, deu até mais tempo para pensarmos nas proposições que apresentaremos à sociedade lagunense em prol das nossas candidaturas.

AL – O partido tem conversado com outras siglas? Existe aproximação com algum outro partido aqui em Laguna?

AR – O partido tem conversado, sim, com outras siglas; tem dialogado sem nenhum comprometimento até o presente momento, mas bem encaminhado para uma coligação para a majoritária.

AL – Quando o senhor menciona que tem conversado com outros partidos, um destes é o PSD, do atual vice-prefeito Júlio Willemann?

AR – Sim.

AL – E tem chances de a aliança ir para frente?

AR – O momento é de expectativas.

AL – O MDB, hoje, possui nominata de pré-candidatos à Câmara ou ao Executivo?

AR – Pré-candidatos à Câmara, temos dez nomes elencados. Estamos fechando a nominata das cinco candidatas necessárias, de acordo com a legislação, e ao Executivo o diretório está aberto a quem pretenda se habilitar a se candidatar, para discutirmos este assunto no âmbito do Diretório.

AL – O partido aposta fichas na reeleição de Mauro Candemil, atualmente pré-candidato. O que motiva essa escolha, considerando que na última eleição (2016) o MDB estava no poder, mas não tentou renovar o mandato do então prefeito?

AR – Não temos porquê não apostar no Mauro. Com todas as vicissitudes enfrentadas por sua gestão: enchentes, vendavais, pandemia. Um outro gestor, sem o perfil do Mauro, não as teria superado. Aí temos uma cidade limpa, com obras de infraestrutura importantes, não apenas no centro, mas até em localidades antes esquecidas, que são visíveis, não nos alongar em enumerá-las. Apostamos, porquê Mauro propõe projetos e os realiza. Poderá fazer muito mais.

AL – Há comentários de que o partido está dividido e que a bancada legislativa defende até chapa pura, com o vice-prefeito saindo dos quadros do MDB. Como o senhor responde esses comentários? O MDB está ‘rachado’?

AR – O MDB a nível nacional, estadual e não é diferente o local, é um partido que não restringe, respeita as opiniões divergentes. Não se trata de racha, é democracia. É um partido rico em lideranças, com suas próprias ideias. Cada vereador é um candidato em potencial. Há opiniões, porém, não há divergências de fundo. Na hora que for decidido pelo diretório quem será candidato, todo o MDB fechará a questão.

AL Como presidente, o senhor acredita que o MDB terá um bom desempenho na eleição de novembro?

AR – O MDB tem um histórico de bom desempenho eleitoral e não deverá ser diferente em novembro.

AL – Presidente, espaço aberto para as últimas considerações, caso queira acrescentar algo que não tenha sido abordado.

AR – Por fim. Conclamo a todos os emedebistas para estarmos ombro a ombro e coesos nessa campanha.

Desde a redemocratização, MDB participa de todas as eleições municipais

Gerado a partir das bases do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de 1966, o atual MDB voltou a ter esse nome três anos atrás. Até então, era PMDB, legenda que participa das eleições municipais de Laguna desde a década de 1980 e apenas uma vez não apresentou candidatura própria.

A primeira eleição disputada foi em 1982. O partido podia lançar até três candidaturas, conforme previa a legislação da época e apresentou os nomes de Luiz Paulo Carneiro (3.577 votos), Wilson José da Silva (1.717 votos) e Emanuel Maiato (35 votos). O trio não chegou à cadeira de prefeito. Na Câmara, três candidatos foram eleitos. O PMDB obteve 5.595 votos totais (somando legenda).

Seis anos depois, em 1988, o partido chegou à prefeitura com a eleição de Nelson Abraham Netto, o Nelsinho, que havia saído do PDS, onde concorreu em 1982, mas não venceu. Netto conquistou 10.438 votos. Quatro vereadores foram eleitos. No Legislativo, foram 7.067 votos totais.

Em 1992, concorre com Marco Aurélio Barzan, mas não se mantém na prefeitura, obtendo 7.605 votos. O PMDB faz na Câmara sua maior bancada até então, com a vitória de cinco candidatos ao Legislativo. Foram feitos para a Câmara, 7.771 votos.

Já na eleição seguinte, o partido lança Mauro Candemil como prefeito. Concorrendo com chapa pura, o candidato obteve 6.171 votos, sem ser eleito. Quatro candidatos são eleitos para a Câmara. Os emedebistas alcançaram 6.231 votos para o Legislativo.

No ano 2000, o PMDB aposta novamente em Nelsinho, mas obtém apenas 6.605 votos, não conseguindo voltar ao Executivo. No Legislativo, três candidatos são eleitos. A legenda fez 5.409 votos para a Câmara no total.

Quatro anos depois, pela primeira vez, o partido não encabeça chapa e integra a coligação de Adílcio Cadorin, com PDT, PFL e PL. Foram eleitos quatro vereadores e o partido somou, em 2004, 9.518 votos para o Legislativo.

Em 2008, o PMDB concorre com Mauro Candemil, fazendo sua primeira coligação com PSDB, PPS, PR, PSC e PV, mas não se elege. Obteve 12.055 votos. Para a Câmara, consegue manter o mesmo número de eleitos. A soma para o Legislativo foi a maior obtida pela sigla: 10.052.

O partido retorna à prefeitura em 2012, elegendo Everaldo dos Santos em coligação com PSD, PSC ,PP e PSDB. Foram 16.669 votos. Para o Legislativo, o PMDB conseguiu enviar três vereadores, com 7.614 votos totais.

Na última eleição, o PMDB indicou Mauro Candemil à sucessão de Santos e se manteve no poder com 10.250 votos, em coligação com PSD e PV. O partido fez quatro vereadores e somou 6.469 votos totais.

Histórico de vereadores eleitos*

1982: Zuleida Maurício Rosa, Antônio Jerônimo Rafael e Mário Luiz Sachetti

1988: Mário Sachetti, Itamar Leal Floriano, José Paulo Rebelo e Jorge da Rosa

1992: Orlando Rodrigues, Valdir Saúl de Andrade, Francisco Salles Soares, Mário Sachetti, Everaldo dos Santos

1996: Everaldo dos Santos, José Paulo Rebelo, Valdir Saul de Andrade e Renato Borges

2000: José Martins das Neves, Jorge Tadeu Zanini e Valdir Saul de Andrade,

2004: Deyvisonn de Souza, Everaldo dos Santos, Antônio César da Silva Laureano e Waldy Sant’Anna Junior

2008: Everaldo do Santos, Antônio César da Silva Laureano, Deyvisonn de Souza e Eraldo Duarte

2012: Valdomiro Barbosa de Andrade, Rogério Medeiros e Thiago Duarte

2016: Antônio César da Silva Laureano, Cleosmar Fernandes, Thiago Duarte e Valdomiro Barbosa de Andrade.

*A relação não considera eventuais trocas de partido ou cassações de mandato.