À espera de definição, obra do Creas se torna alvo fácil da criminalidade

Foto: André Luiz/Agora Laguna
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Construído em uma sobra do terreno do extinto Centro Social Urbano (demolido em janeiro), a obra do que deveria sediar o novo Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas), no bairro Progresso, virou reduto da criminalidade e é um exemplo do descaso com o dinheiro público. Sem prazo para ser entregue, a construção aguarda uma definição oficial sobre quais rumos serão dados após a construtura ter rescindido o contrato em julho.

Quase R$ 414 mil já foram investidos na construção, somando os aditivos. Do local, os furtos constantes – registrados desde abril de 2018, quando a empresa havia recém montado seu canteiro de trabalho – causaram prejuízos que vão desde a fiação a vasos sanitários.

Nesta terça-feira, 25, segundo informações extraoficiais, houve tentativa de furto do portão da edificação. O Portal Agora Laguna esteve no local e não encontrou resistência em entrar no prédio, que tem vidros quebrados e garrafas espalhadas pelo chão. Estruturas de refrigeração e até esquadrias das janelas também foram levadas pelos criminosos.

Quem passa pelo entorno do terreno, vê que o prédio novo contrasta com uma realidade de abandono, marcado pelo depósito inconsequente e constante de lixo e restos de entulho. O mato que cresce ao redor da construção, ajuda a compor o cenário desolador.

A reportagem cobrou novamente posicionamento do governo estadual sobre o assunto. A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (SDS), promotora da obra, informou que a construtora será notificada para retomar a obra e apresentar um novo cronograma.

“Caso se abstenha, será instaurado processo administrativo em desfavor da mesma, para analisar o cabimento ou não de aplicação de sanções previstas no contrato e na lei licitatória – pode ir de simples advertência até declaração de idoneidade”, explicou a assessoria, com respaldo do setor jurídico do Estado.

Uma nova tentativa será feita nessa semana para que a empresa continue a obra, mas o clima é que não deve haver retorno dos trabalhos. A expectativa mais promissora do Estado é que até o final de setembro haja definição sobre a posição da construtora e, dependendo, da abertura do processo administrativo.

“A SDS tem que cumprir esses passos, mas provavelmente o governo terá que entrar com processo para cobrar a indenização. E aí quem o fará será a Procuradoria Geral do Estado (PGE)”, pontuou a secretaria. No momento em que parou, a obra tinha 92,51% de conclusão.

O caso também é acompanhado pela Secretaria de Assistência Social e Habitação de Laguna, que será a gestora do prédio após a conclusão das obras. O município é parceiro na construção, por ter cedido o terreno para o levantamento do prédio. “Estamos estudando a possibilidade de [a prefeitura] pegar a obra e finalizá-la, ainda nada certo”, disse, sem criar expectativas, a secretária Patrícia Paulino, quando questionada pela reportagem.

Foto: André Luiz

Histórico de furtos é marca negativa na obra

A área de construção ocupa 631 metros quadrados e desde o início foi alvo da criminalidade. A obra era para ter iniciado em abril de 2018, mas começou em maio, já que o canteiro teve a fiação elétrica furtada. O sumiço dos cabos de eletricidade não foram os únicos a serem registrados na edificação em obras.

Até junho deste ano, a coletânea de objetos furtados era considerável: portas de madeira, tanque de lavar roupa, fios de energia, barra de cobre do ar-condicionado e os próprios equipamentos de refrigeração, fechadura de porta, vasos sanitários. No ano passado, os funcionários da construtora não ficaram imunes e tiveram ferramentas levadas em um caso de furto.

Os crimes foram apontados como os motivos para o atraso na entrega das obras. No final de maio, a conclusão deveria ter ocorrido no dia 29, depois passou para 12 de junho. A data mais recente informada foi 26 de maio, o que não aconteceu.

Foto: André Luiz

Creas auxilia na rede de assistência social do município

A conselheira tutelar Cláudia Lopes, explica que o Creas é uma ferramenta fundamental para a assistência social do município. “Faz parte da rede do município e é muito importante devido a todos os profissionais que lá atuam, assistentes sociais, psicopedagoga e psicólogas, que atendem famílias encaminhadas para acompanhamento com situações de risco”, comenta.

São atendidas no Creas, pessoas que passaram por algum tipo de situação de ameaça ou violação de direitos como violência física, psicológica, sexual, tráfico de pessoas, cumprimento de medidas socioeducativas.

“Além disso, também faz o acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa e atende a população em situação de rua, com fornecimento de alimentação, kits de higiene, cobertor, agasalhos, requisição de segunda via de documentação, dentre outros serviços”, acrescenta a advogada Pollyana Alvim, coordenadora dos centros de assistência social de Laguna.

Atualmente, a equipe técnica conta com duas psicólogas, três assistentes sociais e três educadoras sociais, profissionais capacitados para atender as famílias em situação de violência.

Foto: André Luiz