Foto: Ronaldo Amboni

As baleias-francas estão na região lagunar e continuam sendo flagradas quase que diariamente por pesquisadores que não tiram seus olhos do mar e por curiosos que passam pelo litoral e acabam avistando um ou outro mamífero da espécie Euballena australis. Nesta sexta-feira, 31, é comemorado o dia Nacional da Baleia-franca, criado para marcar um episódio ocorrido 17 anos atrás em Laguna (veja abaixo).

Avistar uma baleia requer um pouco de sorte. Elas vêm para a costa brasileira durante o inverso buscando águas mais quentes que permitem à estes animais a continuidade da reprodução, amamentação e ajudam no nascimento dos filhotes. Desde o começo do mês, exemplares da espécie já apareceram no Gi, Mar Grosso e Farol de Santa Marta.

O mais recente avistamento foi há dois dias, no Farol, e foi registrado pelo fotógrafo Ronaldo Amboni. Segundo o guia de turismo, Júlio Vicente, há vários locais no litoral das três cidades que fazem parte da chamada Rota da Baleia Frase (RBF) que são ‘ideais’ para quem quer observar as gigantes. “São locais de geografia estratégica, que são os pontos mais altos”, resume.

Em Laguna, o promontório (descrição geográfica para um cabo composto por rochas muito elevadas e por penhascos) do Cabo de Santa Marta, onde está edificado o Farol é um destes locais que permite observar baleias com mais precisão. O ‘Morro do Céu’ e o Morro do Gravatá, também na mesma comunidade, são outras indicações.

Alguns avistamento são em praias, mas para Júlio Vicente elas não são recomendadas. “Não são tão propícias, pois há muita ondulações. Se vê esporadicamente, mas não é local estratégico”, completa o guia. A solução é recorrer para locais altos em praias, como as pedras do Iró e a Pedra do Frade, no Gi.

Mais ao Norte, o morro do Itapirubá é um costão que permite uma vista elevada para o mar. “Ali é espetacular para ver baleias”, avalia. Outros locais na região de Imbituba são: praias d’Água e Rosa, e costão da Ribanceira, onde existem mirantes. Este último ponto, é reconhecido por atrair vários mamíferos nesta época do ano, o que motivou a concessão do título de capital nacional da espécie à cidade vizinha.

Na cidade de Garopaba, após a praia central, existe uma localidade chamada Morrinhos, que permite ao turista ver as baleias, quando estão na região. “Outro local sensacional é a Gamboa, que tem estrategicamente um costão com mirante”, acrescenta o guia, que atua há quase 20 anos no setor.

Embora represente um turismo saudável e seja visto até como a retomada do setor na região pós-pandemia, como mostrou o Portal em junho, a observação de baleias está sendo afetada pelos decretos de restrição social, que proibiram a permanência nas praias.

Data lembra baleia jovem que encalhou em Laguna

De acordo com o Instituto Australis (antigo Projeto Baleia Franca), a data é para marcar o retorno ocorrido em 31 de julho de 2017 de uma baleia que encalhou, ainda jovem, nas águas de Laguna. O animal tinha cerca de um ano de vida e entrou pelo canal dos molhes, nadando cerca de 10 km rio adentro até encalhar na Lagoa Santa Marta.

A operação de resgate durou 30 horas e foi sucesso, já que a união de especialistas e autoridades ambientais conseguiu desencadear um ação que rebocou o animal até próximo à saída para o mar.

Quando retornou em 2017, a baleia veio acompanhada de um filhote semi-albino que recebeu o nome de Laguna, em homenagem à cidade juliana onde o encalhe e resgate ocorreu.