Arquivo pessoal

O meio-campo lagunense Mengálvio Pedro Figueiró, 80, foi homenageado na sexta-feira, 3, pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em Santos (SP), onde mora atualmente. Ele recebeu uma réplica da Taça Jules Rimet, troféu igual ao que o time conquistou em 1962, no Chile, quando foi bicampeão da Copa do Mundo.

“58 anos depois de conquistar o bicampeonato mundial com a seleção brasileira, hoje [sexta, 3] pela manhã fui surpreendido com um presente maravilhoso que me fez relembrar um momento único em 1962. A réplica da taça Jules Rimet que representa um marco na minha carreira como atleta. Agradeço a CBF por proporcionar essa sensação novamente”, comentou Mengálvio, em uma rede social.

Cinco dias antes, a entidade máxima do futebol nacional tinha anunciado que tornaria embaixadores da seleção os campeões mundiais de 1958 e 62, os homenageando com a réplica da taça e também com um ‘passaporte’ personalizado, que dá acesso gratuito às partidas de competições promovidas pela CBF (entenda abaixo).

Durante as vezes em que vestiu a camisa da seleção, Mengálvio jogou ao lado de Garrincha, Pelé, Zagallo, Didi, Nilton Santos e outros craques que marcaram época no futebol nacional. As homenagens aos campeões do três primeiros títulos mundiais da amarelinha – desde junho, os jogadores de 1970 são embaixadores – fazem parte uma nova filosofia da entidade que entende que as glórias devem ser sempre rememoradas e os grandes responsáveis por elas celebrados.

“Queremos os ídolos cada vez mais próximos da CBF. A experiência deles é uma contribuição muito importante para a nossa missão de promover o desenvolvimento contínuo do futebol brasileiro”, disse o presidente da confederação, Rogério Caboclo.

Embaixadores

A CBF dá aos campeões mundiais a réplica da Jules Rimet e também um passaporte personalizado que dá acesso gratuito às partidas de competições promovidas pela entidade. A confederação disponibiliza ainda passagem e hospedagem sempre que o craque e seu acompanhante quiserem fazer uma visita à sede da CBF, localizada no Rio de Janeiro.

Todos os campeões do mundo com a camisa da seleção brasileira passaram a contar com um plano de saúde de categoria superior pago pela entidade e têm a possibilidade de assinar contrato, com remuneração fixa e mensal, para representarem a CBF em eventos sociais, educacionais, institucionais ou em visitações ao Museu Seleção Brasileira.

Sobre Mengálvio Figueiró

Mengálvio Pedro Figueiró nasceu em Laguna em 17 de outubro de 1939, mas foi registrado apenas em dezembro. É um dos dos onze filhos do casal Antônio Figueiró e Maria Florisbela Figueiró. O meio-campista despontou no futebol a partir do Barriga Verde, de Laguna, time que marcou época no futebol do sul catarinense entre os anos de 1940 e 1950, chegando a disputar a principal divisão do Catarinense, como convidado.

Deixou a cidade natal para jogar no Aimoré, do Rio Grande do Sul e dali foi contratado para o Santos (SP), onde jogou ao lado de Pelé e outros craques. O time paulista que Mengálvio integrou é até hoje um dos mais lembrados futebol nacional.

A estreia no Peixe foi em 1960, diante da Portuguesa de Desportos (SP). Jogou 371 partidas e marcou 28 gols durante os oito anos em que fez parte da equipe. Entre os títulos: campeão paulista sete vezes (1960, 61, 62, 64, 65 e 67), cinco taças Brasil consecutivas (1961, 62, 63, 64 e 65), além do bicampeonato da Liberadores e do Mundial em 1962 e 1963.

Já com a camisa da seleção disputou 14 jogos e fez parte da equipe campeã de 1962, sendo reserva de Didi, do Botafogo (RJ). O único gol que marcou com o time brasileiro foi em 15 de março de 1960, durante o Campeonato Pan-Americano. A carreira foi encerrada em 1969, jogando no clube colombiano Deportivo Millonarios, de Bogotá.

Seleção Brasileira, anos 60: em pé, da esquerda para a direita: Jair Marinho, Zequinha, Nílton Santos, Zózimo, Gylmar e Mauro Ramos. Agachados: Garrincha, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe e o massagista Mário Américo. Foto: Revista do Esporte/Terceiro Tempo