Divulgação/PMP-BS-Udesc

Desde maio, estão sendo registrados os primeiros pinguins (Spheniscus magellanicus) da temporada 2020. Os animais foram avistados entre Laguna e Imbituba, dentro da faixa de observação do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), coordenado pela Udesc Laguna.

Já foram encontrados 88 pinguins, sendo que 18 estavam com vida e 30, mortos. O programa informou que anualmente os animais sobem a Patagônia argentina até o litoral brasileiro. Os dados contam apenas os atendimentos até sábado, 20.

“Nesta longa viagem acontecem muitas adversidades que os pinguins precisam superar. Por isso, muitos chegam debilitados. Alguns não resistem e morrem, principalmente os juvenis. Vale destacar que uma das maiores adversidades, além das climáticas, são as redes de pesca industrial e artesanal. Muitos destes pinguins chegam com lesões produzidas por petrechos de pesca”, disse o PMP-BS/Udesc. Os animais sofrem da síndrome do pinguim encalhado.

A médica veterinária Nicole Nigro, que compõe a equipe de monitoramento, detalha que essa condição é gerada por um estado de debilidade geral causado por intensa desidratação, desnutrição e hipotermia. Nos casos mais graves, os animais apresentam hipoglicemia.

O PMP-BS diz que o tratamento aplicado é o de suporte, com o objetivo de restabelecer a hidratação, a temperatura e a condição corporal dos animais. Para isso, os pinguins são mantidos em ambiente climatizados e são aquecidos com bolsas de água quente. “Eles também recebem fluido, terapia parenteral aquecida e alimentação com papa de peixe via sonda. Antibióticos e antifúngicos também são utilizados para o tratamento de afecções respiratórias, outro quadro bastante frequente nestes animais”, explica Nicole.

Todos os dias eles são acompanhados e passam a ser alimentados com sardinhas e são liberados para tomar banhos. Durante todo o tratamento os animais recebem suporte hídrico, vitamínico e mineral. Os pinguins também podem apresentar sinais de afogamento, agravando ainda mais o quadro clínico de entrada. Quando essas lesões são identificadas, o tratamento inclui a reversão do quadro de afogamento e cuidados especiais com as contusões apresentadas.

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O que fazer

É muito fácil encontrar um pinguim ao longo da orla litorânea da Amurel, mas poucas pessoas sabem o que fazer quando se deparam com um animal dessa espécie ou de qualquer bicho marinho, vivo ou morto.

O recomendado é acionar o PMP-BS pelo telefone gratuito 0800 642 3341, que a equipe de resgate irá ao encontro. O coordenador do programa em Laguna, professor Pedro Castilho, porém orienta, que, apesar de chamar atenção, as pessoas não devem se aproximar dos animais formando aglomeração.

Sobre o PMP-BS

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no polo pré-sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

De Saquarema (RJ) até Laguna são 15 trechos de monitoramento. A Udesc monitora o trecho 1 compreendido entre Laguna e Imbituba, e recebe animais para reabilitação e necropsia do trecho 2, compreendido entre Imbituba e Governador Celso Ramos.