Ilustração: Evilym Cardoso/Foto: Elvis Palma

*artigo por Evandro Farias

Não é só o coronavírus que agride, causa diversos tipos de dores e mata! Dados do Fórum Nacional de Segurança Pública acerca dos atendimentos policiais durante a pandemia, apontaram um crescimento de 22% dos crimes contra as mulheres, considerando o mesmo período de 2019. Da mesma forma há estudos constantes da ONU (Organização das Nações Unidas) sinalizando que, mesmo antes da existência da Covid-19, a violência doméstica configura uma das maiores violações dos Direitos Humanos.

Em 2019, cerca de 243 milhões de mulheres (15 a 49 anos) em todo o mundo foram submetidas a algum tipo de violência. Todo esse cenário violento gera aos cofres públicos um gasto de aproximadamente US$1,5 trilhão de dólares (anualmente). No Brasil, país também afetado por esse tipo de violência (que também cresce exponencialmente, a exemplo do Acre, registrando nesses últimos meses um aumento na casa dos 300%), há diversas iniciativas públicas e privadas, que promovem campanhas publicitárias, acolhimentos psicossocial e programas de proteção às mulheres vítimas de violência.

O movimento “Sinal Vermelho”, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), é um deles e objetiva oferecer um canal discreto, visual e silencioso, permitindo que as mulheres denunciem as agressões de uma forma bem simples: desenhando um X na palma da mão. Esse símbolo, quando mostrado para atendentes de drogarias e farmácias, liga um sinal de alerta, fazendo com que esses colaboradores entrem em contato com os canais de emergência disponíveis e informem o caso o mais breve possível.

Então, o que podemos fazer para ajudar?

  1. Ouviu, percebeu, avistou, sentiu, ligue para o Canal de Atendimento de Emergências 190 ou disque 100 e 180 (Canal específico para atendimentos dos crimes contra a mulher). Ou ainda registre a situação no Aplicativo PMSC Cidadão e Aplicativo Direitos Humanos Brasil.
  2. Informe seus filhos sobre essa ação, para que quando eles tiverem relacionamentos no futuro, saibam discernir o que é uma conduta abusiva;
  3. Acolha mulheres que sofreram ou sofrem de violência doméstica – julgue menos e ame mais!
  4. Se você, homem, se encaixa nos padrões de agressor, antes de tudo procure ajuda! Caso cometa um crime contra as mulheres saiba que a cadeia lhe espera!

Finalizo esse artigo com a fala da Julienne Lusenge, diretora executiva do Fundo para Mulheres do Congo: “Vamos continuar insistindo que não cabe à mulher lutar sozinha. É o homem e a mulher juntos, é toda a família que precisa combater essa pandemia”.

Assista ao vídeo promocional do CNJ

Referências

Produzimos esse artigo, baseado nas publicações: Enfrentamento à violência (publicado em 15 maio de 2020, pelo governo federal); Sinal Vermelho: CNJ lança campanha de ajuda a vítimas de violência doméstica na pandemia (publicado em 10 de junho, pelo CNJ); Acabar com a violência contra as mulheres no contexto do Covid-19 (publicado em 30 de março de 2020, da ONU) e deste infográfico da ONU.


*EVANDRO DOS PASSOS FARIAS, é policial militar desde 2003. Formado em Engenharia de Pesca (Udesc) e especialista em Gestão e Planejamento de Cidades (Unica). É integrante da Rede de Produção Científica da PM-SC e gerenciou o programa Rede de Vizinhos no 28º Batalhão de PM de Laguna.