“Bombeiros, qual sua emergência? Um bebezinho, a gente acha que ele se afogou…”. Assim começa a conversa entre a jovem Aryane Pacheco, 18, e o soldado Ugo Genovez, 35, registrada por volta de 0h30, da última quarta-feira, 6. Bombeiro militar há oito anos, ele atua no batalhão de Tubarão e estava de serviço na central de emergência quando ajudou a salvar o sobrinho da solicitante, Heitor, de apenas um mês de vida.

Naquela madrugada, no bairro Mato Alto, o pequeno havia se engasgado. A mãe, Iane Pacheco, 34, disse à reportagem do Portal Agora Laguna, que o bebê estava com dor e administrou um remédio líquido por seringa, “como sempre fizemos, porém ele teve um ataque de choro e se afogou”. Ela diz que fez manobras para desengasgá-lo, mas o filho não respondida às tentativas.

A irmã ligou para a central de emergências do Corpo de Bombeiros Militar (CBM) pelo telefone 193. No primeiro momento, a ligação caiu. Do outro lado da linha, Genovez, que classifica a ocorrência como inusitada, ficou apreensivo e tentou retornar o chamado. O contato entre os dois foi restabelecido momentos depois.

Calmamente, o bombeiro passou as instruções do que deveria ser feito. A criança ainda não voltava. “Ele abafado, parece”, disse Aryane ao telefone. Uma segunda tentativa foi feita e para alegria de todos, o choro do pequeno Heitor foi ouvido. “Aí, boa”, comemorou, de maneira reservada, Genovez.

“Foi graças ao atendimento dele, com calma, que salvou a vida do meu filho. Segui corretamente a instrução. Antes não estava deixando o corpinho dele inclinado, acredito que por isso não voltou, e com a orientação dele meu bebê chorou na hora. Tenho só gratidão”, agradece Iane. A mãe conta que o pequeno Heitor passa bem. Ouça o áudio da ligação:

‘Ocorrência de muito risco’

Morador de Jaguaruna, desde que foi transferido para Tubarão, Genovez já atendeu ao menos 17 chamados do gênero. “É uma ocorrência que corre muito risco por causa do tempo-resposta, já até a ambulância chegar lá a criança pode ficar sem vida ou mesmo se a criança voltar pode sofrer sequelas em virtude da falta de oxigenação”, alerta o bombeiro.

Não é a primeira vez que o bombeiro fica apreensivo em uma ocorrência do tipo. Um dos atendimentos foi com um rapaz, morador do interior, que fez a ligação por celular em um lugar que não tinha sinal telefônico de qualidade. “Ele vinha até o local, e voltava correndo para casa para falar como era a manobra de resgate”, conta.

No áudio, o bombeiro instrui com todo o cuidado os procedimentos comuns a serem feitos em uma situação dessa. “É muito interessante os pais ficarem atentos à essa situação, porque muitas crianças têm refluxo ou outro problema estomacal que podem gerar engasgamento”, orienta.

Como agir

As orientações do CBM para situações de bebês engasgados são as seguintes:

  • Ligue para o telefone de emergência 193 e peça ajuda (se tiver acompanhado, peça para a outra pessoa acionar o serviço de emergências)
  • Faça uma análise visual na boca da criança para tentar localizar o corpo estranho.
  • Não localizando, segure a criança de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo.
  • Mantenha as vias aéreas da criança aberta com as mãos ou dedos
  • Faça cinco compressões (‘tapotagem’ nas costas da criança, na altura dos pulmões, entre as escápulas).
  • Vire a criança e visualize se ela expeliu o corpo estranho.
  • Mantenha as manobras até a desobstrução ou chegada do Corpo de Bombeiros Militar.
Soldado Genovez, em montagem, com a foto de Iane e o pequeno Heitor. Foto: Editoria de arte