Foto: Agora Laguna

No primeiro dia de abril, a administração do Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos de Laguna protocolou documento junto ao governo do Estado oficializando o pedido que fosse liberado o recurso de R$ 500 mil para aplicação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição. A possibilidade, um mês depois, segue longe.

“Não foi viabilizada a vinda desse recurso. Até o momento a gente não recebeu nenhum valor específico do Estado para que a UTI fosse finalizada”, garante a administradora do hospital Cheyenne de Andrade Leandro. A casa hospitalar pretende aplicar a verba na aquisição de mobiliário, materiais permanentes, rede de gás medicinal, gasômetros e adequações estruturais.

A possibilidade da ativação da terapia intensiva em Laguna tem sido ventilada desde março, quando o governo catarinense anunciou a intenção de habilitar 713 leitos até maio em todo o território estadual. O Senhor Bom Jesus dos Passos chegou a ser cogitado como referência para a região Sul.

Em 21 de abril, quando questionado em coletiva pelo Portal, o agora ex-secretário de Saúde, Helton Zeferino, não deixou claro a liberação de recurso específico para a UTI, mas afirmou que o Estado auxiliaria o hospital com equipamentos. Ouça:

Um ofício enviado pelo governo catarinense à prefeitura de Laguna, que a reportagem teve acesso, indica que a posição da administração estadual é pela não liberação do recurso. O governo entende que é possível o Senhor Bom Jesus dos Passos fazer as adequações com os recursos da Nova Política Hospitalar Catarinense e com a verba vinda para a cidade por meio de portaria do Ministério da Saúde.

Para a reportagem, a secretária de Saúde, Valéria Olivier, explicou que o recurso de R$ 636 mil liberados pelo Ministério da Saúde é carimbado para custeio às ações de enfrentamento à Covid-19 e tem sido usado na aquisição de materiais para os profissionais da saúde municipal.

Já Cheyenne detalha que o recurso da Nova Política Hospitalar, ampliado em março para o teto máximo, também é exclusivo para o combate ao novo coronavírus. “Não podemos usar os R$ 297 mil que estão vindo [a mais] para isso. É um dinheiro para custeio das ações do Covid-19. Não podem dizer que é um dinheiro que veio para a UTI, porque nem está aberta e o hospital tem que custear outras coisas”, explica.

A prefeitura, como revelou o Portal com exclusividade, busca uma forma legal de conseguir transferir para o hospital os recursos obtidos por meio da taxa de iluminação pública (Cosip). Segundo o prefeito Mauro Candemil (MDB), “esse valor que vamos disponibilizar depende de decisão judicial para que seja liberado e tem que ser aplicado naquilo que o hospital está apresentando como necessário”.

O plano de trabalho já foi elaborado e encaminhado para a Justiça, aguardando apenas o despacho autorizando ou não o repasse.

Ofício enviado pelo Estado ao prefeito Mauro Candemil (MDB) – Foto: Agora Laguna

UTI precisará de convênio

A conclusão da UTI não é o único desafio do hospital. “Após a UTI ser finalizada, a gente parte para a segunda etapa que é a busca de recursos para o custeio e manutenção da terapia intensiva no hospital”, alerta Cheyenne. O primeiro passo será a habilitação junto ao Ministério da Saúde, que pode aportar cerca de R$ 240 mil mensais, que representaria metade do custo estimado de manutenção, que gira em torno de R$ 450 mil mensais.

A administradora adianta que o hospital tentará junto ao Estado a assinatura de um convênio para que o governo entre com a outra parte do recurso necessário, possibilitando a continuidade do setor. “Mesmo com a UTI pronta, o funcionamento ficará dependendo do repasse mensal para a manutenção”, finaliza Cheyenne.

Atualmente, na região da Amurel, apenas o Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, foi contemplado com a habilitação de mais dez leitos de terapia intensiva.