Safra da tainha começa hoje

Foto: Elvis Palma/Agora Laguna
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Esperançosos, nesta sexta-feira, 1º, pescadores se lançaram mais uma vez ao mar para o primeiro dia de pesca da tainha. Um dos pescados mais tradicionais da cidade de Laguna teve a safra oficialmente aberta neste dia com boas expectativas.

As notícias que vêm do estado vizinho do Rio Grande do Sul são animadoras e ajudam a criar esse cenário favorável aos pescadores. “Só falta o vento sul e o frio, se tiver isso temos certeza que vai ser uma boa safra”, declarou Ivo Silva, presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc), ao jornal Notícias do Dia.

Os pescadores catarinenses tentam se recuperar de uma safra abaixo do planejado. Em 2019, os resultados ficaram bem abaixo do esperado, chegando a 1,16 mil toneladas, frente à estimativa inicial de 2,5 mil toneladas.

Boas expectativas em Laguna

Em Laguna não é difícil encontrar pescadores de tainha. Nas encostas, nas praias – principalmente na região do Farol de Santa Marta –, no Molhes da Barra – onde há interação com botos – eles estão lá, tarrafeando.

No Farol, onde a captura do pescado ocorre por arrastão, com o cerco do cardume feito pelos barcos, em que um olheiro-pescador vê os peixes do alto das encostas. “As perspectivas estão em nível muito alto. A expectativa é excelente, a melhor possível”, garante Márcio Goulart, o Kart, pescador nativo da ilha.

Assim como nas temporadas anteriores, as praias da lha estão com a prática de surfe proibidas, sendo que neste ano com a pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), o esporte ficou suspenso por decreto estadual. “Os pescadores locais sempre foram muito parceiros dos surfistas na região, nunca havendo problemas durante da temporada de pesca, onde os surfistas sempre puderam exercer a sua atividade esportiva e manter o turismo de baixa temporada ativo na região”, diz nota pública assinada pela diretoria da Associação de Surf e Tow-In do Farol (ASTFSM).

‘Kart’ aponta que a comunidade também está preocupada com a questão da pandemia e garante que cuidados são feitos, já que no Farol quando há safra é comum que aumente o número de pessoas na praia para ver os pescadores e fazerem compras de peixes.

“Estamos tomando vários cuidados junto ao poder público, polícia… fazendo um trabalho conjunto, vendo as melhores medidas para conter o pessoal, pois o pessoal com os galpões é mais fácil e se tiver aglomero, a gente fecha as portas. O que nos preocupa é na prainha, que muita gente vai até lá quando tem pesca”, diz.

Na cidade juliana, pescadores das comunidades de Ponta da Barra, Campos Verdes, Santa Marta Pequena, Passagem da Barra e Farol de Santa Marta se cadastraram para os trabalhos, segundo informações da associação de pesca local.

Pesca

A tainha pode ser pescada de três formas. A tradicional, contemplada com o título de patrimônio imaterial catarinense desde 2019, é a mais antiga. É a prática do arrastão das redes nas praias, com embarcações a remo, não motorizadas. Para esse grupo, a safra vai de 1° de maio a 31 de dezembro e não há limites de cotas para captura.

Na segunda modalidade, está a frota de emalhe anilhado de Santa Catarina, que inclui os barcos motorizados artesanais. Esses São autorizados a pescar de 15 de maio até 31 de julho, na quantia máxima de 1.196 toneladas no mar territorial do Sudeste e Sul. Toda a produção dessa frota deverá ser desembarcada em território catarinense.

E por último, os barcos industriais de cerco/traineira, que poderão pescar entre 1° de junho e 31 de julho. A cota máxima é de 627,8 toneladas do peixe, com montante individual de 50 toneladas. Todas as regras foram publicadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no dia 3 de abril de 2020. O órgão também estabelece as
medidas de monitoramento para controlar a quantia produzida e encerrar a pesca quando os limites forem atingidos.

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