Um grupo de brasileiros, incluindo dois lagunenses, está retido na fronteira da Argentina com o Chile e não consegue retornar para o Brasil, tão pouco avançar no território dos dois países estrangeiros, em virtude de decretos de fechamento de fronteiras baixados como forma de frear o avanço do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

José e Abelardo Westrup, iniciaram a viagem em março no Brasil e foram até Punta Arenas, cidade que fica a três mil quilômetros de Santiago, capital do Chile. O objetivo de pai e filho era resgatar uma moto de um piloto de Balneário Camboriú, que sofreu um acidente.

“Pegamos a moto e voltamos para seguir viagem, mas ao chegar na aduana argentina, fomos barrados, e não deixaram que seguíssemos viagem, pois havia um decreto em seu país que estava proibindo a entrada de estrangeiros”, conta José. Por dois dias, eles tentaram formas de continuar a viagem, mas sem sucesso. O prazo inicial de liberação era 31 de março, mas foi adiado para 13 de abril e a data pode ser prorrogada por mais tempo.

A indefinição da situação, que não traz perspectivas promissoras, atinge um casal de idosos que está na mesma situação que os lagunenses – José mora ainda em Laguna, mas Abelardo reside em São Paulo (SP). “Neste momento, estamos exatamente ao lado da aduana chilena, no passo de integração, distante aproximadamente 500 metros da aduana argentina. Antes destes acontecimentos, trabalhavam integradas, porém agora, cada uma em seu território”, diz José.

O motociclista relata que as dificuldades são enormes. “Tudo aqui fica longe. O posto de combustível mais próximo fica a 60 km, e o outro a 120 km, então não tem como ficar rodando por aí, pois em outro dia o primeiro posto não tinha combustível para vender”, exemplifica. A estrutura dos postos de combustíveis não permite comodidade ao grupo, que não tem como se hospedar em algum estabelecimento. “Estão em quarentena, juntamente com Punta Arenas, onde as pessoas não podem sair nem entrar”, acrescenta.

Em um hotel, na cidade de Punta Delgada, extremo Sul do Chile, eles conseguiram comprar alguns alimentos. As refeições têm sido feitas em um motor-home, onde eles dormem, de modo improvisado.

José usa medicamentos que estavam acabando. Ele contou com a solidariedade dos Carabineiros do Chile (uma das polícias chilenas) e do Exército Nacional daquele país, que compraram os remédios, já que a farmácia mais próxima ficava distante da aduana. “O Exército chileno, bem como os Carabineiros e o pessoal da aduana chilena, sempre se mostraram sensíveis pelo que está acontecendo”, frisa o lagunense.

Contato com autoridades brasileiras

“Existe este grupo de ‘exilados’, que, juntamente com pessoas do Brasil, estão tentando mover céus e terras para conseguirem falar com as autoridades brasileiras, Itamaraty, consulados, etc e até mesmo outros órgãos que podem nos ajudar a encontrar uma solução”, garante José.

Os contatos, porém, têm sido infrutíferos. “Já tentamos de todas as formas […] só que está bem complicada a situação. Ninguém consegue permissão para que a gente consiga atravessar país para chegar o Brasil porque precisa obrigatoriamente passar pela Argentina. A gente quer simplesmente ir para casa”, comenta Abelardo.

“Tem algumas pessoas que já estão um tanto desesperadas, pois foram pegas de surpresa e não estão tendo recursos, tanto financeiro, alimentação e também, dependendo da boa vontade de alguns residentes nestes países, com alojamentos e outros itens que necessitam”, finaliza José.

Portal Agora Laguna entrou em contato com Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty respondeu o e-mail informando que “tem conhecimento da existência de brasileiros retidos no sul da Argentina” e sugeriu que os brasileiros entrassem em contato com os consulados do país em Buenos Aires (capital argentina) e Santiago (chilena).

“Já fizemos isto, foram várias e várias listas que foram solicitadas, e até o momento nada”, rebate José, que afirma ter entrado em contato com o consulado de Punta Arenas, mas sem sucesso. A reportagem encaminhou e-mail à representação diplomática do Brasil na cidade de Punta Arenas, mas não obteve retorno.

O Governo de Santa Catarina informou que irá verificar a situação.