Divulgação/MDB-SC

Lideranças estaduais e prefeitos do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina fizeram reunião virtual nesta semana para discutir as medidas que cada município administrado pelo partido tem tomado para enfrentar a pandemia e o impacto que as medidas restritivas adotadas pelo governo estadual causaram nas receitas municipais.

Os emedebistas praticamente adotaram tom único de crítica à gestão de Carlos Moisés (PSL) no enfrentamento do coronavírus. Para os prefeitos, o Estado tem que tomar ações mais efetivas, e ter mais diálogo e transparência.

“O governo não toma iniciativas de minimizar o problema e de se preparar para uma subida do pico de casos e esse foi o sentido da reunião”, comenta o prefeito de Pescaria Brava, Deyvisonn da Silva de Souza. O prefeito de Laguna, Mauro Candemil, não participou da conferência por estar em outra reunião previamente agendada.

Conforme Souza, uma das preocupações dos prefeitos é quanto à arrecadação anual. “Pescaria Brava arrecadava de ICMS R$ 375 mil ao mês e nesse mês baixou pra 190 mil. Fundeb, arrecadamos R$ 530 mil e baixou pra 320 mil. Quem é que aguenta? Não tem como. A preocupação é como será o restante do ano”, lamentou.

“A gente sabe que a cadeia produtiva teve que parar para conter a epidemia, mas vejamos: os municípios menores tem um caráter de responsabilidade social dentro das cidades. Aqui, praticamente, a prefeitura é a maior empregadora da cidade, então se a prefeitura vai mal, o município vai mal e isso tende a aumentar os problemas sociais”, acrescentou o prefeito bravense.

O chefe do Executivo de Pescaria Brava não foi o único preocupado com as finanças. José Antônio Guidi, presidente da Associação de Prefeitos e Vices do MDB-SC, expôs que o Estado não trouxe auxílios vultuosos para os municípios. “A população entendeu e respeitou a quarentena, mas o governo não está fazendo a sua parte. Várias cidades já querem romper convênios porque não têm mais condições de pagá-los”, disparou.

Os deputados estaduais que acompanharam a reunião virtual e também o senador por Santa Catarina, Dário Berger, prometeram empenho em buscar leis que possam auxiliar os municípios nesse sentido. Os parlamentares também não pouparam críticas. Ada de Luca afirmou que fez pedidos de informação que não foram respondidos – incluindo questionamentos a respeito do número de novos leitos, de respiradores adquiridos e de novos profissionais contratados para a saúde.

Celso Maldaner, presidente estadual do partido e deputado federal, lembrou aos emedebistas que foi aprovada na Câmara complementação da União para os fundos de participação municipais e estaduais para compensar perdas causadas pelas restrições.

Berger, por sua vez, destacou que o Planalto não acatou o projeto conjunto do Legislativo federal para que Estados e cidades sejam ajudados. “A rigor, estamos na estaca zero. O governo quer dar um valor fixo, baseado no número de eleitores, não no FPE. Santa Catarina pode sair perdendo nessa”, disse o senador.

A reunião realizada na segunda-feira, 27, serviu para nortear os rumos de um documento com uma série de reivindicações que o MDB-SC irá encaminhar ao governo estadual. O texto deve ser finalizado no começo de maio, segundo apurado pela reportagem do Portal Agora Laguna.