Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

Uma das mais tradicionais e antigas celebrações religiosas de Santa Catarina, a Festa de Santo Antônio dos Anjos de Laguna pode não acontecer em junho, mês consagrado ao padroeiro da cidade juliana, e ser transferida para agosto. A informação foi divulgada também pelo Jornal de Laguna e foi verificada pelo Portal Agora Laguna junto a Leonardo Demétrio, provedor da Irmandade de Santo Antônio dos Anjos e Santíssimo Sacramento.

A mudança na data não está confirmada totalmente e é vista como uma alternativa caso o cenário do avanço do novo coronavírus continue veloz pelos próximos meses. Desde março, as celebrações religiosas festivas estão suspensas por força de decreto estadual que impôs situação de emergência em Santa Catarina. Missas passaram a ser realizadas pelas redes sociais, com objetivo de evitar aglomeração de pessoas.

“Não é que seja transferida, é uma possível data, o nosso plano B. Ninguém sabe como vai ser o amanhã, mas hoje se a situação continuar como está vai ser a nossa data sim”, frisa Demétrio. A festa aconteceria entre 3 e 16 de agosto, se confirmada a transferência.

As celebrações em honra a Santo Antônio, escolhido por Domingos de Brito Peixoto para ser o padroeiro da pequena vila por ele fundada em 1676, foram crescendo ano após ano ganhando importante destaque, principalmente no Sul. As missas atraem muitos fiéis, de diversas cidades, não só de Laguna.

Adiamento não é recente

A possibilidade de adiar as festividades do padroeiro não é nova. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu às vésperas do início da trezena de Santo Antônio dos Anjos, em junho de 1984.

Na manhã do primeiro dia do mês, a cidade acordou com a notícia de que o padre Luiz Agostinho Zocche Saccon, pároco auxiliar da igreja matriz, havia morrido em um trágico acidente na BR-101, na altura de Imbituba. A rodovia federal não era duplicada.

“[Ele] Era bastante conhecido no mundo católico da região sul e fazia um ótimo e elogiado trabalho, principalmente entre os jovens, faixa etária onde era muito querido”, descreveu o jornalista Valmir Guedes, que resgatou o fato cinco anos atrás em seu blog na internet.

Segundo Guedes, a notícia da morte do padre Agostinho, causou “incredulidade e tristeza geral no mundo religioso”. No dia anterior havia ocorrido uma carreata pelas ruas de Laguna anunciando a festa que iniciaria justamente em 1º de junho.

O falecimento do sacerdote motivou o atraso no início da festa, que começou em 8 de junho, após a missa de sétimo dia. O padre, que hoje empresta seu nome à um centro de ensino infantil no bairro Progresso, seria o orador da primeira trezena.