Há quase um ano, a vida de uma adolescente de 14 anos, moradora do Centro da cidade, mudou. A jovem teve todos os seus perfis em redes sociais invadidos e roubados por hackers que começaram a entrar em contato com a família da menina com discursos de ameaça.

Segundo a mãe da jovem, Osmara Fernandes, o caso iniciou em junho de 2019 e inicialmente a adolescente pediu a ajuda do irmão mais velho para tentar recuperar as contas e barrar as ameaças do hacker, que dizia possuir fotos e vídeos íntimos.

“[A situação] Saiu do controle quando o anônimo foi atrás de inúmeros familiares e amigos. Foi então que em dezembro fiquei ciente do ocorrido e preocupada com a situação, meu esposo e eu, fomos atrás de ajuda para solucionar e parar as ameaças, calúnias e difamação que minha filha mais nova estava e ainda está recebendo”, explica Osmara, em contato com o Portal Agora Laguna.

A mãe conta que a filha está abalada e triste com toda a situação. “Ela é uma menina meiga”, descreve. “Eu chorei, minha mãe chorou, meu pai chorou… não existe foto, nem vídeo, por isso estou aqui escrevendo e compartilhando sobre o assunto”, escreveu a adolescente em uma publicação no perfil pessoal de sua mãe, ao tornar público o caso.

Os perfis anônimos ameaçam apenas divulgar as imagens, mas não forneceram provas de que o conteúdo exista. As mensagens são enviadas através de perfis no Facebook e no Twitter. “Andou vazando [sic] vídeos íntimos de sua filha com um rapaz, além de vídeos também vazaram fotos”, diz um dos textos, direcionado ao pai da jovem, e publicado em um comentário na rede social. A família e a adolescente negam a existência dos conteúdos.

Polícia Civil abriu investigação do caso

As ameaças e difamações nas redes sociais levaram a família da adolescente a registrar um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil. Ao Portal, o delegado Franco Reginato, titular da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e ao Idoso (Dpcami), confirmou que foi aberta uma investigação sobre o caso.

O delegado acrescentou que os trabalhos são iniciais e que não pode dar mais detalhes das linhas de investigação, mas adianta que o caso pode se enquadrar em diversos crimes, que vão desde a divulgação de imagens íntimas de menores (previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente) a extorsão.

A recomendação da Dpcami é que os pais tenham controle parental das redes sociais de seus filhos. “Tem muitos indivíduos que se aproveitam das crianças e solicitam imagens de nudez. E em alguns casos, os menores enviam e o que acontece com essas imagens não temos controle”, diz Reginato, que pede para que os pais se mantenham inteirado sobre com quem estão conversando e em que redes os filhos utilizam.

Outra orientação é que na eventualidade uma foto ou vídeo íntimo ter sido divulgado, sejam feitas captura de tela e anotação dos endereços (links), assim como dos perfis que divulgaram e que a partir disso se faça uma ata notarial junto ao cartório, para depois ser encaminhada à polícia. A ata é uma comprovação de que não houve adulteração das capturas.

As redes sociais como FacebookInstagram e Twitter têm feito nos últimos anos um grande esforço para barrar esse tipo de ação criminosa. As plataformas pedem para que seus usuários denunciem conteúdos explícitos (imagens de nudez, por exemplo) e possuem canais de contato para solicitação de remoção desses materiais, quando publicados.