Considerada desde a tarde de quarta-feira, 11, como uma pandemia internacional, conforme classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o avanço veloz do novo coronavírus (Covid-19) tem atraído atenções e causado temor em várias pessoas ao redor do mundo. Atualmente, são mais de 70 casos confirmados no Brasil, sendo que os dois últimos surgiram em Florianópolis, capital de Santa Catarina.

Diante desse cenário, o Portal Agora Laguna procurou as autoridades de saúde do município de Laguna para saber como está a preparação se surgir algum caso de possível contaminação por coronavírus na cidade.

Única casa hospitalar lagunense, o hospital Senhor Bom Jesus dos Passos vem acompanhando o crescimento de casos de Covid-19 e já faz treinamentos com sua equipe de profissionais para caso apareça um paciente com algum sintoma ou suspeita de contágio.

Caso surja uma suspeita, o paciente será isolado e receberá medidas de prevenção anti-propagação do vírus, como uso de máscaras. “O hospital tem doze leitos de isolamento caso seja preciso internar […] A equipe está sendo treinada para estimular a etiqueta da tosse, limpeza da mão, uso do álcool em gel”, detalha o médico Gabriel Scalon, diretor-técnico da unidade.

“A gente sabe que ao menos 2% de pacientes podem precisar de UTI e o hospital hoje não tem. Temos apenas semi-UTI que é quando o paciente precisa ser entubado a espera de transferência”, acrescenta o médico. O profissional lamenta que a unidade de Laguna não tenha seus leitos ainda habilitados para uso. “O estado de Santa Catarina tem déficit em leitos de UTI”, diz.

Scalon frisa para que a população procure o hospital se for realmente necessário. “80% dos casos são assintomáticos ou vão se apresentar como casos gripais leves. Nosso apelo é para que não procurem o hospital na primeira tosse ou espirro. A porta da emergência é lotada com pessoas doentes e vindo para cá nessa situação, a pessoa acaba pegando uma doença que muitas vezes nem tinha”, alerta. “Não é que não queremos atender, é para a segurança e para que possamos atender quem realmente precisa e está esperando”.

Apesar do alerta de pandemia e do aumento de casos, a secretária de Saúde, Valéria Olivier, pede que a população se mantenha calma. Na primeira semana de confirmação de casos, no final de fevereiro, a procura por máscaras e álcool em gel levou ao esgotamento de estoque das farmácias em poucos dias.

A gestora pede que se algum morador da cidade tiver voltado de viagem recente a algum país que tenha vírus circulante e apresente sintomas gripais procure a secretaria ou a Vigilância Epidemiológica municipal, na Unidade Central de Saúde, no Centro Histórico. “Isso é para que possamos dar orientações e monitorar essas pessoas”, justifica.

A secretaria chegou a emitir nota técnica de orientações. “Esse momento é importante para reforçar a prevenção como o ato de lavar as mãos, uso de álcool em gel, e isso vai ajudar a manter as pessoas com saúde”, comenta.

Tanto hospital quanto secretaria têm mantido contato para que na detecção de algum caso, as providências sejam tomadas em conjunto. “Não há motivo para pânico, mas um sinal de alerta para tomarmos todos os cuidados possíveis”, pontua Valéria.

Confirmação de casos em SC

O governo catarinense, através da Secretaria de Estado da Saúde, confirmou nesta quinta-feira, 12, em coletiva, os dois primeiros casos confirmados de novo coronavírus em Santa Catarina.

Segundo o secretário Helton Zeferino, os casos foram registrados em Florianópolis e são de uma mulher de 28 anos, que retornou da Europa e foi atendida no posto de saúde do bairro Córrego Grande e de um homem de 34 anos, atendido no pronto atendimento do Hospital Baía Sul. Ambos são monitorados e não necessitaram de internação hospitalar.

O Estado monitora ainda 73 casos. Um destes pacientes com suspeitas está em Braço do Norte, conforme informou o Hospital Santa Terezinha. “Todas as medidas de transmissão e profillaxia foram tomadas. A Vigilância Epidemiológica e a Secretaria Municipal de Saúde da prefeitura foram comunicadas e já tomaram as devidas providências sobre o caso”, disse a nota. O homem voltou recentemente do exterior.

Coronavírus

É uma gama de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (nCoV-2019) foi descoberto em 31 de dezembro de 2019, logo após o crescimento de casos registrados na China.

O primeiro registro de coronavírus humano foi identificado em meados da década de 1960. A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os tipos mais comuns são o alfa-coronavírus 229E e NL63 e beta-coronavírus OC43, HKU1.

O novo coronavírus é capaz de infectar humanos e pode ser transmitido de pessoa a pessoa por gotículas respiratórias, por meio de tosse ou espirro, pelo toque ou aperto de mão ou pelo contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido então de contato com a boca, nariz ou olhos.

Sintomas e detecção

Os sintomas mais comuns entre os pacientes hospitalizados foram febre, tosse e falta de ar. Dores musculares e de cabeça, bem como confusão mental, irritação na garganta e desconforto no peito também foram observados.

Para avaliar se é um caso de coronavírus, o profissional de saúde deverá coletar duas amostras respiratórias. Orienta-se a coleta de aspirado de nasofaringe (ANF) ou swabs combinado (nasal/oral) ou também amostra de secreção respiratória inferior (escarro ou lavado traqueal ou lavado bronca alveolar).

As amostras devem ser encaminhadas com urgência para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACEN) para o chamado exame de exclusão. No caso de Santa Catarina, os exames são realizados em Florianópolis. O LACEN/SC está equipado e capacitado para realizar detectar os vírus respiratórios como Influenzas e Rhinovirus.

Pelo protocolo adotado pelas organizações de saúde, caso apresentemos resultados negativos desses exames, as amostras seguem para os laboratórios de referência para realização de análise de metagenômica, que identificará ou não o novo coronavírus. Se for identificado um caso mais simples, como por exemplo, Influenza B, o caso é logo descartado.

Os laboratórios de referência nacional são: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ), Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará.

Medidas de prevenção
  • lavar as mãos com água e sabão com frequência
  • evitar tocar os olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas
  • evitar contato próximo com pessoas doentes
  • ficar em casa quando estiver doente
  • cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo
  • limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência

O consumo de produtos de origem animal crua ou mal cozida deve ser evitado. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme boas práticas de segurança alimentar.