Quando tinha sete anos de idade, conheci a verdadeira definição de festa popular: o Carnaval. Minha segunda mãe, dona Marly me mostrou o que era isso. Ao lado da família Brum e Rosa tive a oportunidade de viver a alegria das escolas de samba Amigo da Onça e da Vila Isabel. Cresci ao lado da Vila. Ficava contente quando via a Bandinha Maluca Os Palhaços de Momo com o apoio do saudoso “Seu Moela” animando a criançada. Tive a oportunidade de acompanhar o Boi de Mamão da Ponta das Pedras na voz do também saudoso Orlando Ribeiro.

Lembro-me do Tadeu Guedes sendo responsável pela sonorização da Raulino Horn. Ainda sinto saudade do sorvete da lanchonete Miscelânea. Viver o pré-carnaval é algo indescritível. E o lagunense pode definir o que é isso, os mascarados apareciam de todos os lados. Vale lembrar o trabalho das rádios locais Difusora e Garibaldi, que transmitiam para toda cidade a batucada todas as noites. Fiquei 16 anos transmitindo o carnaval lagunense. Aprendi muito com Celso Fernandes, Paulo Cereja, Paulo Sérgio Silva, Lourenço Fernandes, Silvio Costa, Valmir Luiz, Vânio Santos, o saudoso Boy, João Batista Cruz e tantos outros.

Arquivo Rodrigo Bento/Agora Laguna

Você sabia que em nosso país, a história da festa do Carnaval começou cedo? Registros indicam que já no Brasil Colônia tínhamos manifestações carnavalescas, sendo a primeira o entrudo. Uma festa de origem portuguesa que, na colônia, era praticada pelos escravos. Eles saíam pelas ruas com seus rostos pintados, jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas. Tais bolinhas nem sempre eram cheirosas. O entrudo era considerado ainda uma prática violenta e ofensiva, em razão dos ataques às pessoas com os materiais, mas era bastante popular. Enquanto o entrudo era reprimido nas ruas, a elite do Império criava os bailes de carnaval em clubes e teatros.

O carnaval de Laguna hoje é um somatório de todas as fases, acrescido de uma participação popular das mais contagiantes. Atualmente ele é composto de blocos, bandas e 5 escolas de samba, sendo elas: Brinca Quem Pode, Os Democratas, Mocidade Independente, Vila Isabel e Xavante. Não podemos esquecer que a história das escolas de samba foi marcada também por algumas agremiações que já não existem mais, entre elas: Mangueira, Amigos da Onça, Acadêmicos do Samba, Bem Amado, Rosecler, Unidos da Esperança, etc. Montamos um vídeo apresentando de forma resumida a história das 5 escolas de Samba. Preparem-se, os paralelepípedos da cidade vão tremer! Abração e bom Carnaval!

Cida Milezi e Thiago Santiago, porta-bandeira e mestre-sala d’Os Democratas – Arquivo Rodrigo Bento/Agora Laguna

RODRIGO BENTO é professor de História há 21 anos e atualmente leciona para os estudantes do Colégio Stella Maris, no bairro Magalhães. Foi editor da revista Saber, que resgatou histórias da cidade, e radialista na extinta Rádio Garibaldi AM de Laguna, apresentando programas voltados à área da educação.

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