Foto: André Luiz / Agora Laguna

Há exatos dois anos e quatro meses, Vinícius Gonçalves Fidelis, de 5 anos, aguarda pela cirurgia para retirada de adenoide através da rede pública, em Laguna. Enquanto espera, o menino sofre com dores de cabeça e dificuldades respiratórias.

“Meu filho passou a roncar à noite, não consegue correr muito, é uma criança que se correr fica cansado e parando. Agora o que nos preocupa é esse sangramento no nariz dele que ultimamente está acontecendo quase que sempre”, disse o pai de Vinicius, Ivan Fidelis Rodrigues, morador do bairro Progresso.

Assim que o menino foi diagnosticado com adenoide, em outubro de 2017, foi em seguida encaminhado para a cirurgia que resolveria o problema, mas, até o momento ele não foi operado. Segundo Ivan, além de seu filho, outras crianças estão na mesma situação.

“São mais de 150 pessoas aguardando na lista de espera. O Vinicius na fila do município estava na 24ª posição, e agora na posição 32ª e não sei por qual motivo, pois ninguém dá explicação”, reclama.

O que é a adenoide

Conhecida popularmente como ‘carne esponjosa’, a adenoide é um tecido linfoide localizado na parte de trás do nariz, em uma região chamada rinofaringe. Sua função é proteger o organismo contra vírus e bactérias que entram pela cavidade nasal, alertando o sistema imunológico, que passa então a produzir anticorpos.

Em algumas crianças, quando a adenoide é aumentada (hipertrofia de adenoide), ou seja, quando o espaço que ela ocupa entre a base do crânio até o palato duro passa de 50%, as funções olfatória e respiratória sofrem prejuízos.

As infecções de repetição são um dos sinais da adenoide aumentada, além de apneia (parada da respiração durante o sono), respiração oral (pela boca), mau hálito ao longo do dia, ronco, má alimentação e dificuldade para ganhar peso.

O que dizem as Secretarias de Saúde municipal e estadual

A equipe do Portal Agora Laguna fez contato com a secretária de Saúde municipal, Valéria Olivier, que afirmou que as cirurgias são classificadas como média e alta complexidade.

“O ente responsável para pagamento é o governo Federal que repassa recursos para governo Estadual que paga cirurgias de qualquer especialidade. Hoje não temos médico prestador, que faz cirurgias de otorrinolaringologista pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Amurel. O governo Estadual não consegue contratualizar com nenhum hospital na Amurel. A região da Amrec tem prestador, mas não quer atender pacientes da Amurel, então nossa fila nessa especialidade está parada”, afirma Valéria.

Ainda segundo a gestora, uma audiência foi realizada com o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino em janeiro, solicitando a resolução dessa situação, mas até agora não foi resolvida.

“Agora o hospital de Braço do Norte, disponibilizou uma equipe e estamos aguardando o convênio entre hospital e Estado para que comecem a realizar as cirurgias. Quanto a essa avó que o senhor Ivan menciona, que procurou Ministério Público, a secretaria e o hospital, na época, foram chamados, e a promotora da época, constatou que ninguém passou nenhum paciente na frente. A fila está correta. Quanto a ausência de promotor na cidade é uma inverdade. Várias vezes já foi explicado para o senhor Ivan sobre a responsabilidade e obrigações de pagamentos de cada ente federativo, ele já participou da reunião do Conselho Municipal de Saúde, que também foi explicado. Nunca deixamos de assistir os pacientes”, frisa Valéria.

A reportagem cobrou posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Por e-mail, a assessoria informou que no ano anterior realizou mutirão de cirurgias desse gênero e adiantou que o governo está finalizando e deve concluir até este mês uma política pública de cirurgias eletivas, que deve incluir adenoide e possa agilizar as filas de espera.