Foto: Arquivo pessoal

O último ano escolar de Karoline Eliseu Favarin não poderia ser melhor. Prestes a se formar no ensino médio, a estudante de 17 anos recebeu a notícia de que foi uma das medalhistas de Santa Catarina na prova da segunda fase da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). O teste avalia os conhecimentos matemáticos dos alunos brasileiros e premia os que tiverem melhores desempenhos.

“É gratificante, né? Foi a primeira vez que resolvi participar da 2º fase da Obmep, e me dediquei para isso. Como me formo esse ano, era minha última chance. Me arrependo de não ter participado antes, mas fico muito feliz por ter conquistado uma medalha de bronze esse ano”, afirma a jovem.

Filha de Claudinéia Delfino e Lenoir Favarin, Karoline é aluna da segunda turma de 3º ano da escola estadual Domingos Barbosa Cabral, de Pescaria Brava. “Ela é uma estudante dedicada, determinada, excepcional… tem muita facilidade para cálculos e interpretação e isso certamente contribuiu para que conquistasse a medalha da Obmep”, descreve o professor Maycon Maria Fermino, que leciona matemática para a jovem.

“Matemática e biologia sempre foram as minhas matérias favoritas. Tudo ao nosso redor envolve matemática, não é? É empolgante demais. Quando você lê sobre história do menino [Carl Friedrich] Gauss, por exemplo, é motivador: com apenas oito anos, o ‘príncipe da matemática’ descobriu uma forma de calcular todos os termos de uma progressão aritmética”, comenta Karoline.

Mas apesar ter muita afinidade com as exatas, a jovem que tem xadrez e assistir filmes como hobbies, pretende seguir carreira na área da medicina – assim como o irmão, Lucas, que é acadêmico da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS). “Talvez, no futuro, eu faça alguma graduação que envolva matemática. Uma engenharia, por exemplo”, prevê. A cerimônia de entrega da medalha é regional e por enquanto não tem data para acontecer.

A medalha permite ainda que Karoline se inscreva no 15º Programa de Iniciação Científica Jr. A iniciativa possibilita o contato dos estudantes premiados com interessantes questões no ramo matemático, ampliando o conhecimento científico e preparando para um futuro desempenho profissional e acadêmico.

‘Palavra chave é dedicação’

A Obmep é realizada a nível nacional. Segundo dados do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), órgão responsável pela aplicação do teste, este ano passaram à segunda fase cerca de um milhão de estudantes.

“A olimpíada é uma prova essencial por estimular a interpretação e permitir que o aluno coloque na prática tudo o que aprendeu durante o ano letivo”, avalia Fermino. A primeira fase do teste foi em 21 de maio e a segunda, em 28 de setembro.

Na avaliação de Karoline, quem quer ter um bom desempenho na prova deve se preparar para isso e se dedicar muito. “Acho que a palavra chave é dedicação. Dedicação aos estudos. E para isso, contei com o auxílio do Youtube, que tem desempenhado um papel fundamental na democratização do ensino de qualidade”, revela a estudante.

“Se você quer conquistar uma medalha, é preciso ir atrás de outros meios de estudo. Resolver as provas das edições anteriores que estão disponibilizadas no site da Obmep também foi essencial”, pontua.

Outros medalhistas

Da região da Amurel, outros premiados foram Aini Vicenzi (Centro Educacional Porto Seguro, Imbituba) e Fernando Zandomenico (Colégio Dehon, Tubarão) e Carlos Eduardo Wiggers (escola Cônego Nicolau Gesing, Braço do Norte).

Karoline com a turma do 3º ano 02, da escola Domingos Barbosa Cabral; ela e os colegas se formam este mês – Foto: Arquivo pessoal