Foto: Emerson Emerim/SDC/Divulgação

A notícia de que o município de Pescaria Brava requereu à Secretaria de Defesa Civil (SDC) o aço utilizado na Ponte Hercílio Luz, que seria vendido como sucata, para aproveitar na construção de uma ponte na comunidade de Carreira do Siqueiro, foi bem recebida nas redes sociais. Um questionamento, porém, surgiu entre os leitores do Portal Agora Laguna: e a prefeitura da cidade juliana, não quis o material?

A reportagem procurou o prefeito de Laguna, Mauro Candemil (MDB), que afirmou não ter havido interesse da infraestrutura municipal pelo material retirado da ponte, cartão-postal da capital do Estado. O chefe do Executivo disse que não quis o aço, por causa das dificuldades encontradas em administrar o metal.

“Tens que ir lá [em Florianópolis] escolher o aço que queres e às vezes tem peças menores e maiores, e tens que cortar e transportar. Esse modus operandi é muito dificultoso e ainda não encontrei em Laguna uma necessidade de disponibilizar esse ferro […] para aplicar em uma ponte aqui na cidade”, disse Candemil.

A dúvida dos internautas surgiu em virtude de a cidade ter algumas pontes vicinais de madeira, como as existentes no Balneário Praia do Sol e na comunidade da Madre, esta última chegou a ser tema de reportagem do Portal meses atrás. O objetivo da SDC com o projeto de repasse dos metais, anunciado em agosto, é justamente esse, o de trocar estruturas arcaicas por outras mais seguras.

“Não é tão prático construir essas pontes. É um trabalho muito difícil de montar esse ferro, cortar nas dimensões que se precisa, soldar e colocar em locar adequado. É muito custo. O material está lá para as prefeituras que se habilitarem, mas o objetivo a que se destina não é tão fácil assim, como estamos avaliando”, pontua o chefe do Executivo, acrescentando que outras cidades também não quiseram o material pelos mesmos motivos.

Como funciona

A iniciativa é formada a partir de um acordo entre o Estado e a cidade interessada. A Defesa Civil fornece um kit (estrutura principal e guarda-corpo metálicos) e os projetos das cabeceiras, do pilar central, da pré-laje e tabuleiro. Isso inclui, ainda, manual de montagem e de manutenção e conservação da estrutura.

Por outro lado, o município fica responsável por executar a construção das cabeceiras, do pilar central (se necessário), pelo transporte do kit desde a fábrica até o local de instalação, montagem do kit e execução do tabuleiro conforme projeto e manual de montagem, com validação por parte da equipe de engenharia municipal.

Sobre a Ponte Hercílio Luz, a ‘velha senhora’

Construída entre 1922 e 1926, a ponte – inicialmente prevista para ser chamada ‘Independência’ – foi idealizada pelo governador catarinense Hercílio Pedro da Luz, que morreu antes de ver a estrutura concluída e em homenagem, empresou seu nome à única ponte. A construção da estrutura foi feita para ligar a região da ilha da capital do Estado à sua parte continental, substituindo o antigo serviço de ligação por balsas.

A estrutura foi interditada pela primeira em 1982, sendo reaberta em 1988 e fechada em definitivo para reformas em 1991. A ponte começou a ser reformada com mais intensidade em 2005, numa parceria do governo catarinense com a prefeitura de Florianópolis. Prevista para ser entregue em 2012, a obra vai ser reaberta em 30 de dezembro de 2019.

A festa de abertura será feita com o atrativo especial de 172 veículos antigos tendo o prazer de serem os primeiros a dirigir sobre a ponte, que é considerada o cartão-postal da capital catarinense. Embora a inauguração tenha tráfego de veículos, o pensamento da administração de Florianópolis é abrir primeiro a passagem para pedestres, ciclistas, e ônibus das linhas urbanas, e só no segundo semestre de 2020 permitir a circulação de veículos particulares.