Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

Moradores do entorno da praça Renascença (antiga Lions Internacional), no Mar Grosso, entregaram na última sexta-feira, 1º, abaixo-assinado à Promotoria do Ministério Público estadual (MP-SC) em Laguna contra a instalação de trailers de venda de alimentação (food-trucks) no espaço, como ocorreu em temporadas anteriores em outras praças do bairro. A mobilização acontece dias após a prefeitura municipal ter anunciado a intenção de dedicar o local exclusivamente para esse tipo de comércio.

Os residentes pedem que ao invés do food park proposto pela administração pública, seja feito na praça a urbanização prevista no projeto original de sua criação, em 1955, e que vem sendo realizada de maneira voluntária pelos próprios moradores, com plantio de mudas de árvores no espaço.

“Aqui em Laguna, as coisas são impostas goela abaixo, sem prévia consulta aos contribuintes, principalmente, aos moradores do Mar Grosso que pagam seus impostos, e, que são responsáveis por um terço da arrecadação fazendária do município. E beneficiam paraquedistas que pousam aqui uma vez por ano, que não acrescentam em nada na arrecadação tributária do município”, lamenta o morador Eduardo Duarte.

O abaixo-assinado é uma resposta à implantação de food-trucks, que atrapalharam, segundo eles, o tráfego das ruas do entorno do local. “[Ali] não tem condições urbanísticas, ambientais, sanitárias e de acessibilidade”, afirma o engenheiro André Labanowski, um dos moradores. “Em apenas duas horas no final da tarde do dia 31 foram 48 assinaturas, porquê a audiência com a promotora seria no dia seguinte. Se houvesse mais uns três dias chegariam a 200 tranquilamente”, diz.

Ele cita um caso recente, ocorrido também no Mar Grosso, para embasar o pedido feito pela associação de moradores do balneário ao MP. “Trailers, tipo os que no verão passado foram instalados na avenida beira-mar [avenida Maurílio Kfouri Neto], próximo à Praça do Villa, causaram muitas reclamações de moradores e veranistas. Também naquela ocasião os moradores sequer foram consultados e ficaram revoltados”.

Confira o projeto


(Arraste a seta para ver o projeto em comparação com a praça atualmente)

 

Outro lado

Segundo nota divulgada no site oficial da prefeitura em 28 de outubro, o projeto foi desenvolvido, com objetivo de “oferecer um novo e diferenciado espaço para o lazer no verão”, no Mar Grosso. A ideia da administração municipal é que fosse um lugar “com banheiros e maior número de mesas para atender o público”.

Portal Agora Laguna procurou a secretária de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Laguna, Silvânia Cappua Barbosa, que justificou a escolha do local por ser o “mais adequado pela dimensão e proximidade à praia” para a implantação do food park.

Segundo a gestora, a escolha foi feita em conjunto entre as pastas de Planejamento, Obras, Turismo, e Administração, e com o prefeito Mauro Candemil (MDB), após as críticas recebidas pelo uso da região da praça Nelson Moreira Netto pelos trailers.

“Como é conhecido por todos no próprio estado de Santa Catarina temos muitos food parks, como por exemplo Lagoa da Conceição, Santa Mônica (próximo ao Iguatemi) em que o local é projetado para abrigar vários foodtrucks com iluminação com lâmpadas de led, lixeiras, mesas, cadeiras e guarda-sóis”, afirma a gestora. “Foram solicitadas cinco propostas para a mesma, onde a final é a que se encontra no site da prefeitura. Tentou-se propor o melhor”, pontua.

A reportagem entrou em contato com a Promotoria de Justiça da Comarca, mas foi informada que a promotora Giovanna Wolf Davell, que recebeu o abaixo-assinado, entrou de férias. O Portal encaminhou questionamentos por e-mail à representante do MP, e aguarda retorno.