Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna

Os problemas financeiros expostos nos últimos meses enfrentados pelo Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos ainda seguem rondando os corredores da instituição.

Funcionários da casa hospitalar procuraram a redação do Portal Agora Laguna para evidenciar a preocupação com os constantes atrasos de pagamentos, o que vem trazendo muitos problemas. “Tenho aluguel e comida para por em casa. Seguimos nessa indecisão todos os dias”, comentou uma colaboradora que prefere não se identificar.

Segundo eles o décimo terceiro de 2018 ainda não foi quitado, além dos salários de agosto, onde foi pago apenas 65% e outubro, que ainda não caiu na conta dos funcionários. Já o mês de setembro foi quitado graças ao valor de R$ 351 mil repassado pelo governo do Estado em depósito transferido em parcela no início de outubro.

Além do recurso do governo catarinense, o hospital recebeu R$ 78 mil, para compra de insumos hospitalares – a verba foi autorizada ano passado por emenda parlamentar do ex-deputado federal Jorge Boeira (PP). A injeção desse valor nas contas permitiu que fossem adquiridos materiais necessários para a manutenção dos atendimentos básicos à população.

Foi justamente pela falta de pagamento que acabou motivando uma greve em 26 de setembro, que durou quatro dias. Na época, apenas casos de urgência e emergência eram atendidos.

Além dos salários, segundo apurado, os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), estão em atraso desde abril de 2018. “Depositam apenas uma parcela agora em setembro do FGTS, mas o restante segue em atraso”, comenta.

Em contato com o Sindicato da Saúde de Tubarão e Região (Sindisaúde), a presidente da entidade da categoria, Denise de Matos Freitas, afirmou que vai propor uma reunião com a administração do hospital nos próximos dias e em seguida irá se posicionar sobre os fatos.

O que diz o hospital

Em entrevista à Rádio Difusora e ao Portal Agora Laguna, o presidente e médico Fernando Pache, afirmou ter conhecimento dos fatos e disse que um empréstimo para oxigenar as contas está em fase final de ser concluído pelo hospital e que na reunião com os funcionários será tratado do assunto, inclusive com a expectativa de pagamento dos vencimentos nos próximos dias. O valor do empréstimo não foi revelado pelo gestor.

“Desde que mostramos na Udesc o plano de viabilidade do hospital, nós continuamos caminhando com dificuldades. Estamos procurando resolver isso com a máxima urgência, esperando um empréstimo grande que está encaminhado na Caixa e alguns outros recursos que estão por vir”, comenta Pache.

De acordo com o presidente, o pagamento depende de soluções de trâmites burocráticos, com a expectativa de ser pago nesta quarta-feira, 20. Ainda segundo ele, um portal da transparência já está sendo desenvolvido, com a intenção de ser disponibilizado a partir do primeiro semestre de 2020.

Na última semana, a prefeitura de Laguna anunciou o interesse de formalizar um novo repasse para o hospital em 12 parcelas no próximo ano, em virtude da entrada de novas emendas nos caixas municipais. Segundo Pache, esse convênio seria de aproximadamente R$ 70 mil, somados aos atuais R$ 91 mil repassados mensalmente pela Secretaria de Saúde.

Relembre: Funcionários do hospital entram em greve por tempo indeterminado

Auditoria apontou que hospital de Laguna é ‘inviável financeiramente’

Em 26 de agosto, numa auditoria idealizada pela atual diretoria, foi constatado que o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos é uma entidade deficitária e inviável financeiramente. A conclusão é do relatório da auditoria da empresa Atual Contábil, contratada pela direção da casa hospitalar para aferir as contas e apresentar um diagnóstico sobre a saúde contábil do hospital, que foi apresentado à sociedade lagunense.

Fundado em 1855, a entidade convive com uma dívida estimada em R$ 9,6 milhões – sem acréscimo de juros e correções monetárias. “Quando nós olhamos o desempenho do hospital, verificamos que hoje, para que a entidade possa manter suas atividades e cobrir seus custos seriam necessários um aumento [de repasse] no valor de R$ 100 mil mensais”, detalha o auditor Marcos Rebelo.

Porém, para o especialista, mesmo havendo esse incremento de repasse, a receita precisaria alcançar quase R$ 300 mil ao mês, para que pudesse fazer frente às dívidas contraídas anteriormente. Rebelo explicou na apresentação que parte do montante devido aconteceu pelo fato de o hospital ter priorizado determinados pagamentos em detrimento de outros. Leia a matéria completa, clicando aqui.