Inaugurado no fim dos anos 1950, em substituição a outro empreendimento de época que pegara fogo décadas antes, o Mercado Público Municipal de Laguna será novamente entregue à população da cidade, após ficar anos com as obras paradas. A data do reencontro com o público é 6 de dezembro.

Tombado pelo patrimônio histórico, o prédio rosado foi contemplado com recursos para restauração há mais de uma década. As obras foram iniciadas em 2014, mas pararam um ano depois com o surgimento de problemas administrativos que só foram sanados no fim de 2018.

Segundo a arquiteta Ana Paula Cittadin, que responde pelo Escritório Técnico do Iphan em Laguna (Etec-Iphan), apesar de os trabalhos estarem previstos para serem entregues no começo de dezembro, a expectativa é que a obra seja finalizada antes do prazo – no início do ano, a data de entrega era para 15 de novembro.

Os recursos para a restauração da edificação foram destinados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Sustentável (BNDES) com total de R$ 5.667.898,74, com mais R$ 1 milhão garantido pela prefeitura por meio de termo aditivo.

“O nosso mercado faz parte da história da cidade. A comunidade estava desacreditada. Receber de volta o espaço, está relacionado com a autoestima da população e com apropriação deste bem, por isso ele tornou tão importante para todos nós”, frisa a presidente da Fundação Lagunense de Cultura (FLC), Mirella Honorato.

Entre as intervenções feitas no prédio estão por exemplo: deck de madeira sobre a Lagoa Santo Antônio dos Anjo, elevador para garantir acessibilidade, portas automáticas nos boxes, que terão, também, medidor individualizado.

Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

Expectativa é que comércio volte a partir de 2020

O comércio do local deve voltar a funcionar a partir de 2020, após concluída a licitação dos 24 espaços (boxes) comerciais. Cada um destes pontos terá um uso definido, que contemplam: restaurante, bares, empório colonial, entre outros, mantendo a essência do mercado.

O assunto foi tema de reunião recente entre o Iphan, prefeitura e entidades de classe locais, que manifestaram receio da possibilidade de o mercado se descaracterizar com tipos de comércio diferentes dos que eram oferecidos antes da restauração. Para a formatação da licitação, o instituto realizou pesquisa histórica com levantamento dos empreendimentos que existiam no local.

“Tínhamos a preocupação de como seria a organização do Mercado Público por que queremos que seja voltado aos temas ‘mercado’ e ‘artesanato'”, comenta o presidente do Sindilojas, Natanael Wisintainer. “Ficou bem prático e o mercado ficou dentro daquilo que imaginávamos e quando for inaugurado vai ajudar a engrandecer nosso comércio”.

Segundo a secretária de Planejamento Urbano e Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Silvânia Cappua, a elaboração da licitação está em fase final. “Estamos alinhando para que isso [a definição dos boxes] seja bem transparente. Os usos foram pré-definidos pelo Iphan e já na época [do projeto original] houve contestação pela Vigilância Sanitária e aconteceram adequações no local”, afirma.

Um decreto com o regulamento de funcionamento do mercado deve ser publicado pela prefeitura, assim como uma lei que autoriza a concessão dos espaços por 10 anos será enviada para apreciação no Legislativo – legalmente, a cidade pode conceder apenas cinco anos.

Da entrega das obras até a efetiva reinauguração com os comerciantes voltando ao prédio, a edificação funcionará como um ‘ponto de cultura’, recebendo atividades organizadas pela FLC.

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