Foto: Divulgação/Agora Laguna

Há quase um mês atendendo apenas casos de urgência e emergência, o Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus dos Passos teve sua situação discutida em uma audiência na capital federal, no fim da tarde desta terça-feira, 17. O encontro reuniu representantes da entidade, parlamentares catarinenses (federais e estaduais) e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Para o presidente da entidade, Fernando Henrique Pache, apesar de não ter acontecido uma liberação imediata de aportes financeiros, a reunião foi produtiva. “Abrimos as portas do ministério para o hospital de Laguna. É claro, que há um monte de burocracia, mas o ministro se mostrou muito preocupado por ser um hospital que auxilia a região e que tem 100 leitos com risco de fechar”.

Pache disse que há risco iminente de a entidade fechar as portas, porém, diz ter ficado esperançoso com o Ministério da Saúde diante das possibilidades de recursos de pedidos antigos serem liberados. Uma dessas solicitações, como antecipou a reportagem do Portal Agora Laguna, que tem mais chance de ser aprovada é referente ao programa de manutenção da emergência. Se liberado, o hospital pode receber até R$ 100 mil mensais.

Um dos idealizadores do encontro, o deputado estadual Felipe Estevão (PSL), afirma que toda a situação do hospital foi explicada e que o ministro foi muito receptivo aos pleitos, determinando à sua assessoria jurídica e financeira para que analisem o caso para ver se é possível encontrar um caminho e enviar recursos financeiros à unidade. “Isso foi se acumulando, virando uma bola de neve, gerando uma dívida de R$ 10 milhões. Hoje, avançamos conversando com o ministro que se colocou à disposição”, disse Estevão, logo após a reunião na capital federal, em entrevista ao Portal.

Nesta quarta-feira, 18, está agendando um novo encontro com o secretário estadual de Saúde, Helton de Souza Zeferino. “Seguimos buscando caminhos para auxiliar e tentar salvar o hospital”, finaliza Estevão.

A deputada federal Geovânia de Sá (PSDB), que também acompanhou o encontro, disse que foram apontados os números preocupantes do hospital e solicitado para que “ele pudesse estar tendo um olhar carinhoso e que fizesse um incremento para auxiliar esse momento tão difícil que o hospital de Laguna passa. Vamos aguardar o ministério nos posicionar e realmente amenizar o sofrimento não só dos funcionários mais de toda direção do hospital”.

A reunião foi acompanhada também pelos deputados federais Ricardo Guidi (PSD) e Daniel Freitas (PSL), deputada estadual Paulinha (PDT) e por representantes do município de Criciúma, que aproveitaram para debater a situação de atendimentos hospitalares da região carbonífera.

Prefeitura deve fazer repasse mínimo

Segundo Pache, a prefeitura de Laguna deve fazer apenas um repasse financeiro mínimo ao hospital no mês de setembro, referente a agosto, conforme contrato assinado entre a entidade e a administração. O acordo é alusivo aos convênios do Sistema Único de Saúde.

Sem o aporte completo, o hospital seguirá com racionamento de recursos e pode pagar parcialmente os funcionários e equipe médica. O Portal procurou a secretária municipal de Saúde, Valéria Olivier que confirmou o repasse parcial justificando que a medida acontece por falta de “produção”.

“Não é que a prefeitura queira fazer isso. É que a gente é obrigado a pagar o que foi produzido e a gente sabe que o hospital está funcionando apenas com urgência e emergência e eu não tenho como repassar o recurso pelo que o hospital não produziu”, disse a gestora.

De acordo com Valéria, se houver a transferência completa do valor, a entidade pode ser obrigada a devolvê-la. Para a secretária, o hospital tem que buscar meios de obter recursos externos que possam permitir o funcionamento de setores internos ou reativação de outros, como por exemplo, a ala psiquiátrica que precisa ter aumento de efetivo para que aconteça o repasse específico de manutenção.

Mesmo com a garantia do pagamento dos convênios da rede pública, a verba não garante o retorno pleno do funcionamento da unidade hospitalar, que deve seguir apenas com o atendimento restrito. “Urgência e emergência têm que atender até o último centavo. Acabou o dinheiro, fecha”, afirma Pache.

Foto: Luís Claudio Abreu/Agora Laguna