Arquivo Pessoal

Cinco lutas e cinco ouros. Se não fosse obra do “acaso”, como a jovem lagunense Angélica da Rosa Jesus, define parte dessas conquistas no jiu-jítsu não teria acontecido. Aos 12 anos, a moradora da comunidade da Cigana é a mais recente medalhista de uma nova geração de esportistas que a terra da cidade juliana vem apresentando ao mundo.

A trajetória começou a ser trilhada há cerca de dois anos, quando ela conheceu o esporte a partir de alguns amigos que já praticavam a modalidade em um projeto iniciado na comunidade na região da ilha. “Sempre foi muito dedicada, focada, disciplinada, não é de falar muito. É um diamante a ser lapidado”, conta o professor Eduardo Rodrigues, que afirma que a jovem absorve e reproduz rapidamente todas as novas posições de luta ensinadas, geralmente no mesmo dia da aula.

“Eu não imaginava que iria amar tanto esse esporte e me dedicar tanto”, afirma. Apesar da pouca idade, a jovem tem bem definidas as suas metas para o futuro: “Quero ser uma lutadora profissional e tentar ser uma das melhores do país. Pretendo seguir carreira e quem sabe ser até uma professora no esporte”.

Ao falar da atleta, a família não esconde a alegria por ver a rápida ascensão dela no esporte: “É uma menina muito humilde e focada no que faz e gosta de fazer. Eu fico muito feliz por ela e apoio completamente o sonho dela, de ser uma lutadora profissional de jiu-jítsu e ser a melhor do Brasil”, comenta o irmão, Érick de Jesus. “Minha irmã é uma menina muito dedicada, tanto na escola como no esporte”, destaca.

Para garantir bom desempenho nas competições, a lutadora não deixa de treinar um dia sequer, participando de segunda a sexta-feira das aulas no salão paroquial da Cigana. “Ela tem tudo para dar certo, é a cara do jiu-jítsu”, comenta o professor.

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‘Não vim para ganhar medalha; vim para lutar’

Se engana quem pensa que por trás da timidez de Angélica, não há determinação, garra e muita força de vontade. “Têm pessoas que nos campeonatos desacreditam de mim. Eu vou para lutar e trago outro”, conta a atleta. A mais recente conquista dela veio na Copa Kiron BJJ, disputada há algumas semanas em Tubarão.

Na competição disputada na cidade azul, Angélica ficou sem confrontos em sua categoria e teria ganho a medalha de ouro de maneira automática. “Ela virou e falou assim para mim: ‘Não mestre. Não vim para ganhar medalha; vim para lutar'”, relembra o professor.

Os embates no tatame de Tubarão não aconteceram na mesma faixa etária, pelo contrário: a adolescente foi escalada para lutar com três atletas que chegaram a ter o dobro da sua idade. Rodrigues pontua que a vontade de ter participado, mesmo enfrentando lutadores de peso e idade superiores, demonstra a dedicação dela.

Para continuar seguindo a trilha no jiu-jítsu é possível auxiliar a lutadora nas competições através de patrocínio. Informações podem ser obtidas pelo telefone (51) 9 8184-8782.

Angélica Rosa e o professor Eduardo Rodrigues – Foto: Arquivo Pessoal