Prática do surfe estará restrita em praias da região da ilha por conta da pesca da tainha

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Um acordo entre surfistas e pescadores selado há alguns anos definiu que durante o período de pesca da tainha, a prática do surfe terá restrições em algumas praias da região da ilha de Laguna. A temporada abriu na última quarta-feira, 1º de maio, e segue aberta até 1º de julho, quando também ficarão vigentes as limitações para os praticantes do surfe.

Conforme a Associação de Surf e Tow-In do Farol de Santa Marta (ASTFSM), a comunidade do Farol se destaca entre as demais do estado, por ali não haver registro de grandes conflitos entre pescadores e surfistas. Para o presidente da associação, Reinaldo Langer Jaeger, isso se dá pelo fato de a maior parte dos praticantes de surfe locais serem filhos de pescadores nativos da região.

“Os surfistas não vão desrespeitar os pescadores durante essa prática cultural que é a pesca da tainha e vice-versa, pois isso seria um tiro no próprio pé e poderia provocar uma diminuição no número de turistas, representando grande impacto financeiro”, detalha Jaeger. A única praia que está com a prática do surfe proibida é a prainha do Farol, por ser uma enseada menor.

As demais da região, como Cardoso e Ipuã, seguem liberadas para os surfistas. Contudo, se houver grande presença de cardumes nestes locais e os pescadores forem fazer o cerco à tainha, os surfistas irão sair imediatamente da água. “Normalmente, eles até ajudam os pescadores no processo da pesca e, ainda, ou ganham ou compram o peixe fresco para levar para casa”, comenta Jaeger.

“Não há como proibir a prática do surfe na praia do Cardoso e da Cigana durante o inverno, pois grande parte das famílias da região obtêm sustento por meio do turismo também, e os surfistas são quem movimentam o turismo durante o inverno (baixa temporada), locando casas, alimentando-se em restaurantes e comprando nos mercados e lojas”, explica o pescador Adinho Santiago.

Outra prática comum na região, o tow-in, modalidade em que o surfista é levado à onda por meio de um jet ski ou algum outro meio como helicóptero, fica proibida durante os dois meses. “O motor do jet ski pode afugentar o peixe que fica nas pedras durante o mar agitado. Por isso os pescadores pedem para que não haja a prática de tow-in e nem uso de jet ski nas águas”, alerta Jaeger. Além da associação sediada no Farol, a decisão é endossada pela Associação de Tow-In de Jaguaruna.

Ainda segundo o presidente da ASTFSM, a exceção para o uso da moto aquática é em caso de salvaguarda dos surfistas, sendo utilizado para casos de resgate como o de rompimento de cordinha, quebra de prancha, mal súbito, etc. “Em casos de mar extremo, sem canal, o jet ski ainda poderá auxiliar o surfista a não ser levado pela corrente que conduz para trás da ilhota, prezando, mais uma vez pela segurança dos surfistas”, salienta.

Foto: ASTFSM

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