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Considerado ameaçado de extinção, o tubarão-martelo que morreu no começo da tarde de quinta-feira, 07, na praia do Ipuã, na região da ilha de Laguna, será exposto no Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Movi), em Piçarras, no litoral Norte catarinense.

O animal foi avistado na manhã do mesmo dia, ainda com vida, por moradores e banhistas do balneário que, inclusive, tentaram ajudar o tubarão a voltar ao mar, mas ele acabou retornando e encalhando na orla do Ipuã. “Quando chegamos, o tubarão já estava morto. Não sabemos a causa da morte do animal, acreditamos que ele estava debilitado ao ponto de encalhar na praia”, explica Fernando Magoga, tenente da Polícia Militar Ambiental. O motivo que provocou a morte do animal não poderá ser determinado em virtude da realização dos procedimentos para a exposição ao público.

Segundo Pedro Wolkmer de Castilho, professor da Udesc, e coordenador do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), o animal que encalhou em Laguna, é um exemplar raro da espécie Sphyrna lewini. “Estimamos ele em 3,10 metros, o que o caracteriza como macho. Pela curva de crescimento e pelos dados que temos em bibliografia, esse tamanho é de um animal de aproximadamente 20 a 25 anos de idade. Ele aparenta ter uma condição corpórea abaixo da normalidade”, explica.

Castilho conta que ainda na quinta-feira fez contato com a equipe do museu, um dos maiores da América Latina, para que pudesse receber o exemplar. “Não teríamos condições, nem tempo hábil para fazer a preparação para a exposição e nem onde colocar aqui em Laguna. Fizemos a negociação com o museu para do animal e eles manifestaram de forma positiva para receber o tubarão”, pontua.

A expectativa é de que nesta sexta-feira, 08, o animal seja transportado para Piçarras, onde deve passar por todo um processo de embalsamento com duração de até dois meses, podendo ser exibido ao público a partir de maio deste ano.

A espécie

O tubarão-martelo-recortado (Sphyrna lewini) é uma espécie de tubarão da família Sphyrnidae. O exemplar está entre as 10 espécies aparentadas do gênero martelo encontrados nos mares tropicais e temperados em todo o planeta.

A extensão plana de sua cabeça dá à espécie a fisionomia de ser hidroplano, possibilitando voltas mais curtas que outros tubarões. Castilho diz que “o tubarão está presente na costa brasileira, mas não tão próximo. O fato dele ter aparecido, nesta situação pode ser por conta do seu estado de saúde”.

A orientação caso você encontre animais deste porte é acionar o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) da Udesc Laguna, pelo telefone 0800 642 3341, ou a Polícia Militar Ambiental, pelo telefone 3647-7880. Outra recomendação é não chegar perto, nem tocar nas espécies pela possibilidade de contágio de doenças ou de ataque.