Foto: Elvis Palma/Agora Laguna

Positivo e sucesso. São as duas palavras que resumem o Carnaval, na avaliação dos foliões e da organização do evento. Nos últimos dias em que Momo reinou absolutamente sobre a terra de Anita, inclusive recebendo a chave da cidade, ao menos 200 mil pessoas passaram por Laguna, segundo a Polícia Militar, curtindo um, dois, ou todos os blocos possíveis na programação.

A folia não se resumiu só ao Mar Grosso e entorno, ultrapassando os limites e contagiando a maior parte dos bairros da cidade. Se fosse possível fazer um check-list das festividades carnavalescas, apenas o desfile oficial das escolas de samba ficaria faltando. Mas, mesmo sem as alegorias – restritas, novamente, ao pré-carnaval -, o Carnaval em Laguna manteve seu brilho até as últimas serpentinas que caíram no chão.

“Viajei 1800 quilômetros para curtir o Carnaval em Laguna, sempre ouvi falar desta festa é minha primeira vez aqui e estou gostando”, comenta Maria Aparecida do Amaral, que veio da região Sudeste para conhecer uma dos carnavais mais reconhecidos do país. Ela foi apenas uma das centenas de turistas que vieram para a cidade, onde a alegria reinou nesses dias.

“O Carnaval, no geral, foi dentro do esperado, do que podíamos com o recurso que nós tínhamos na prefeitura – esse ano não tivemos a ajuda do governo do estado e nem do patrocinador do circuito. A orla do Mar Grosso, dentro do circuito de Carnaval, sem problemas de grandes proporções. No Farol de Santa Marta, tudo acontecendo dentro do esperado”, avalia Evandro Flora, secretário municipal do Turismo, Lazer e Comunicação.

O expressivo número de pessoas na cidade aumentou o trabalho das equipes de limpeza, que não pararam em um dia sequer, mantendo Laguna apresentável aos turistas e moradores. Conforme dados estatísticos da empresa Louber Ambiental, somados desde o dia 27 de fevereiro, foram retirados das ruas quase 400 toneladas de lixo e a quantidade deve aumentar.

Bloco da Pracinha

Considerado um dos maiores blocos carnavalescos de rua do Sul do país, o Bloco da Pracinha criado no final dos anos 70, comemorou o seu 41º ano em mais um domingo de Carnaval regada à alegria e à boa música das bandas lagunenses Juízo, Ph7 e Prakatá.

Entre 150 e 200 mil pessoas, conforme estimativa da Polícia Militar, acompanharam o bloco no domingo de Carnaval, 03. As fantasias, amostras da criatividade popular, variaram de fugitivos da cadeia às mais belas policiais. Das guarda-vidas aos bombeiros preparados para apagar o fogo de alguém. Super-heróis, personagens de histórias em quadrinhos e ainda personificações de memes como “piscininha, amor”, não faltaram no bloco.

“Com a saída do trio Treme-Terra, puxando mais de 150 mil foliões […] a avaliação é positiva, sempre. Foi nota 10”, resume Sérgio Farias Gomes, o popular “Miguifa”, um dos fundadores do bloco. Para ele, a única crítica foi quanto às empresas particulares contratadas pela prefeitura. Neste ano, a municipalidade fechou acordo, por meio de licitação, com novas organizações para o trio elétrico e segurança privada. As contratações, especialmente a do veículo pesado, motivaram inúmeras críticas.

“Foi um sucesso tremendo. Eu conversando com outras pessoas, elas disseram que ‘nunca viram tanta gente no Bloco da Pracinha como nesse ano’. Acreditamos que ultrapassamos a marca de 150 mil pessoas, mas isso não é o mais importante, pois queremos qualidade. O bloco foi excelente e a multidão brincou”, comenta Flora. O ponto negativo, destaca o secretário, foram os carros com som alto que executavam letras “pejorativas, que atrapalhavam bastante”.

(Foto: Romulo Camilo)

Segurança

Sempre atentos para melhor atender a população, os órgãos de segurança da cidade não descansaram um minuto durante os dias de Carnaval. À exceção de algumas ocorrências de relevância, as festas transcorreram na maior normalidade, segundo a avaliação feita pelas organizações.

Para a Polícia Militar (PM), o Carnaval foi bastante tranquilo. “O mais grave foi um cidadão atingido na perna por arma de fogo e uma policial militar feminina atingida por uma garrafada na cabeça. Também existiram alguns acidentes de trânsito”, destaca o major Rogério Piovesano Bartolamei, comandante do Batalhão de Polícia de Laguna.

A PM, inclusive, aproveitou as folias de Momo, para estrear o uso de uma nova tecnologia para auxílio nas operações policiais. Desde o dia 28, o batalhão passou a usar um aeronave não-tripulada (drone) equipado com câmeras para registrar cenas que possam ser utilizadas nos trabalhos da corporação. Estiveram envolvidos na operação de Carnaval, as guarnições do setor de inteligência, cavalaria, canil, Bope e Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT).

Assim como a Polícia Civil, o batalhão de Laguna montou uma base móvel na praça Nelson Moreira Netto (Villa), no Mar Grosso, para atendimento à população.

Nas rodovias, operações de fiscalização abordaram dezenas de motoristas visando impedir o tráfego sob efeitos de entorpecentes ilícitos ou de bebidas alcoólicas. As ações levadas até à meia-noite desta quarta-feira, 06, estão sendo desenvolvidas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), que cuida da BR-101, e a Polícia Militar Rodoviária, patrulheira da SC-A101F (antiga SC-436). Na pista estadual, um motorista de 21 anos foi preso embrigado e 13 tiveram a carteira de habilitação retidas. Os órgãos policiais devem divulgar seus balanços operacionais a partir desta quarta-feira.

O Corpo de Bombeiros Militar também esteve envolvido em ocorrências neste Carnaval, quase sempre relacionadas à acidentes automobilísticos. Desde o início da folia, os socorristas da corporação atenderam: um capotamento no Iró, na praia do Sol e na praia do Gi; dois afogamentos no Ipuã; duas colisões, uma na rodovia de acesso à Laguna e outra, na antiga ponte em Cabeçuda. Além destes atendimentos, foi a corporação que socorreu o rapaz baleado no Mar Grosso.

Veja o momento em que o trio passa pelo Mar Grosso animando os foliões