Foto: Felipe Uszacki

O Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Nacional (IPHAN) em parceria com o Governo Municipal, com patrocínio do Sebrae, através do Projeto Rota da Baleia Franca, apresentou esta semana um novo roteiro turístico pelo centro histórico chamado “Museu a Céu Aberto”.

Consiste na sinalização do patrimônio histórico de Laguna criando um roteiro de visitação com placas informativas e de sinalização sobre os três estilos arquitetônicos que compõem o conjunto de casarios do centro histórico. São eles: luso brasileiro, eclético e art décor.

   

Estas linguagens arquitetônicas fazem parte de três diferentes períodos de colonização e urbanização da cidade. Cada um deles é representado por uma cor diferente. As placas amarelas simbolizam o estilo luso brasileiro, as vermelhas referem-se ao eclético e azul o estilo art décor. Ao todo foram afixadas 82 placas nos casarios.

Seis placas grandes, com um mapa para o visitante se localizar pelo roteiro marcando os três percursos disponíveis e com informações adicionais sobre a história daquele período serão instaladas nas seis praças do centro histórico. Estas foram fornecidas com recursos do Governo Municipal.

Em algumas ruas e esquinas estão sendo colocadas um total de 18 placas, indicando o caminho dos principais monumentos e percursos.

Nos principais monumentos históricos serão fixadas 15 placas.

Algumas placas ainda serão instaladas nas próximas semanas para finalizar o roteiro e inaugurar o percurso.

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OS ESTILOS ARQUITETÔNICOS:

Luso-brasileiro: as primeiras construções

As primeiras casas erguidas na antiga Vila de Santo Antônio dos Anjos da Laguna traziam o estilo luso-brasileiro. Dele, a referência mais antiga que existe ainda hoje na cidade é a Casa de Anita, uma construção datada de 1711. Essa arquitetura se estendeu até meados do século XIX, aproximadamente. Chama-se luso-brasileira, porque se caracteriza pela planta portuguesa, pelo traço português, porém os materiais e a mão-de-obra utilizados na construção eram brasileiros. Os colonizadores recém-chegados da Europa trouxeram este modelo, que pode ser observado num desenho simples, com características muito peculiares, e que são facilmente identificadas em suas janelas e telhados e ainda por serem construções geminadas, em sua maioria.

Eclético

Já no fim do século XIX iniciou-se o período econômico mais forte na região, marcado pela recente colonização dos italianos e alemães, somado à produção de carvão absorvida pela indústria siderúrgica nacional que surgia. Era a revolução industrial que chegava ao Brasil. Em conseqüência do aumento do poder aquisitivo da população, a arquitetura local também se modificou. Foi então que, inspirado novamente nos modelos europeus, novas construções começaram a surgir e com elas o estilo eclético.Caracterizado pela riqueza de detalhes, a arquitetura eclética possui os exemplares mais belos da cidade. As casas, geralmente chamadas “palacetes” são bastante altas, com porão e sótão. A combinação de elementos da arquitetura medieval, renascentista, barroca e neoclássica marcam o ecletismo. São as platibandas, balaustras, detalhes e mais detalhes artísticos nas fachadas, que denotam a riqueza e grandiosidade das construções. Ninguém mais, senão famílias abastadas viveriam naquelas casas.

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Industrialização e abertura de estradas: surge o Art Déco

Já em meados do século XX, entre as décadas de 1940 e 1950, começa uma nova modificação na economia local. Até então, Laguna estava no auge de sua importância regional. Com a abertura de estradas o porto perde um pouco de sua importância, o que gera uma decadência econômica local. É nesse período que surge a arquitetura art-déco na região, com seus traços simples e linhas retas, imitando o que já estava sendo praticado na Europa desde a década de 1920. Alguns exemplos são o Cine Teatro Mussi, recém restaurado, e o Mercado Público (o antigo, em estilo eclético, foi completamente destruído num incêndio na década de 30) que atualmente passa por reformas. A partir de então, o cenário da cidade começou a sofrer uma drástica modificação. Surgiram novas construções e a substituição de outras já existentes. Muitas edificações foram demolidas para dar lugar a algo mais “moderno”. Assim, a arquitetura art-déco foi a última a representar um período histórico de fato.

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