Foto: Santiago Anguita

Na manhã desta quinta-feira, 20, a equipe de monitoramento do PMP-BS/UDESC registrou um boto pescador (Tursiops truncatus) recém-nascido, macho, na praia da Ribanceira, Imbituba. Segundo técnicos especialistas, trata-se do filhote que tinha sido registrado em óbito no canal dos molhes de Laguna na última segunda-feira, 17, junto da mãe.

O Professor Pedro Volkmer de Castilho explicou que este comportamento, chamado de epimelético, é raro, mas descrito para várias espécies de golfinhos. É um comportamento de “luto”, onde a mãe ou algum outro membro do grupo carregam o corpo do indivíduo morto por um ou mais dias. A última vez que algo parecido ocorreu em Laguna foi em 1994 em circunstâncias muito semelhantes.

No caso da última segunda-feira, a mãe levava o filhote morto para o fundo a cada tentativa de aproximação, seja por embarcação de pescadores ou pela equipe do PMP-BS/UDESC e Polícia Militar Ambiental. Após horas de tentativas de se aproximar da mãe e do filhote, ambos desapareceram não sendo mais encontrados.

O corpo do filhote já apresentava avançado estado de decomposição, no entanto, o padrão de coloração, vestígios do cordão umbilical e pregas neonatais permitiram o reconhecimento do animal como sendo do filhote recém-nascido de Laguna.

As modelagens hidrodinâmicas considerando o padrão de correntes costeiras e vento predominante no período, corroboram com o aparecimento da carcaça na praia da Ribanceira.

O animal foi encaminhado para a Unidade de Estabilização de Fauna Marinha em Laguna, onde vai ser feita uma necropsia,  com o intuito de coletar amostras e buscar a elucidação da causa da morte.

Este é 16º boto morto encontrado na região de monitoramento da UDESC este ano e o nono de população residente em Laguna confirmado.

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural no Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama. Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

Caso encontre algum animal marinho vivo ou morto, entre em contato pelo telefone 0800 642 3341.